Cinco primeiro-ministros no espaço de dois anos. A vida política em França assemelha-se cada vez mais à tradicional instabilidade italiana durante décadas.
François Bayrou já saiu e o Palácio do Eliseu prometeu um novo nome nos próximos dias. O novo primeiro-ministro vai ter de construir um orçamento do Estado para 2026, que terá de colocar França no caminho da sustentabilidade financeira, tarefa que se afigura difícil. Quem está na corrida?
Talvez o melhor conselho seja: não complicar. Macron poderá escolher um centrista em linha com o seu pensamento. Neste cenário, o nome mais provável é o ministro da Defesa Sebastien Lecornu, 39 anos, segundo a “Bloomberg”.
Segue-se Gerald Darmanin, 42 anos, em linha com a política de Macron. Vem do centro-direita, mas tem ocupado várias posições governamentais durante os mandatos do presidente. Outra hipótese nesta linha será a ministra do Trabalho Catherine Vautrin.
Mas estes nomes ao centro têm um grande problema: poderão novamente não agradar ao Parlamento e voltarem a ser corridos. Macron terá de adotar outra estratégia.
Se der uma guinada à esquerda, poderá apostar nos socialistas do PSF, afinal, o próprio Macron começou a sua carreira política no governo socialista de François Hollande.
O líder socialista Olivier Faure já disse que aceitaria o cargo de primeiro-ministro se o convite chegar, mas isso vai criar problemas com os Republicanos, de centro-direita, que podem vir a desempenhar um papel crucial no Parlamento.
Se der uma guinada à direita, deverá virar-se para os Republicanos, precisamente, o partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy. O líder Bruno Retailleau já avisou que está “fora de questão” que o novo PM seja socialista.
Mas com apenas 49 lugares em 577, escolher Retailleau ou outro republicano será um grande risco.
Um nome da esquerda, mas que poderá ser mais consensual é o de Bernard Cazeneuve, 62 anos, ex-primeiro-ministro de François Hollande, mas que está mais distante da atual liderança do PSF.
Outros veteranos que podem vir a ser chamados são: Didier Migaud, 73 anos, que esteve no executivo Barnier, ou Jean-Yves Le Drian, 78 anos, que serviu os executivos de Hollande e Macron. Já o ex-ministro das Finanças e atual presidente do Tribunal de Contas também está na corrida: Pierre Moscovici, 67 anos.
Outro nome em cima da mesa é o do ministro das Finanças Eric Lombard com 67 anos, que tem construído pontes com os socialistas, como na aprovação do Orçamento para este ano. É leal aos princípios de Macron, mas tem experiência em trabalhar com a esquerda.
Comme d’habitude, também há tecnocratas na lista, como Thierry Beaudet, o líder do Conselho Económico e Social gaulês, ou mesmo o do atual governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau que tem defendido um maior controlo sobre as contas públicas, mas num esforço partilhado por toda a sociedade.
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