“É quase-tóxico”: Registos de Alojamento Local caíram para mínimos de 2014

Em abril foram registadas 189 unidades face às 1.750 do período homólogo do ano anterior. “Quem apostou no AL procura agora alternativas, como a venda de ativos ou a sua colocação no mercado de arrendamento de longa duração”, diz CEO da Imovendo.

Cristina Bernardo

Durante o mês de abril foram registadas 189 unidades de Alojamento Local (AL). Números que são indicadores da grave crise que o setor atravessa devido à pandemia do coronavírus, sendo este o pior resultado dos últimos 64 meses, sendo preciso recuar a setembro de 2014 para encontrar um volume de registos mais baixos. Os dados foram revelados no relatório mensal de maio da consultora Imovendo esta segunda-feira, 25 de maio.

Manuel Braga, CEO da Imovendo, refere que “esta é apenas uma evidência da falta de confiança que os investidores atualmente sentem e que revela também que as expetativas futuras para o Turismo, em geral, e para o AL em particular, são longe de animadoras, mesmo com os programas que algumas câmaras municipais já anunciaram, como é lo caso de Porto e Lisboa”.

O responsável salienta que o Alojamento Local é visto como quase-tóxico, quando era encarado, até março, como um produto de elevada rentabilidade.

“Quem apostou no AL procura agora alternativas, como a venda de ativos ou a sua colocação no mercado de arrendamento de longa duração. Quem dele dependia para escoar produto reabilitado, vê-se com ativos desvalorizados e com menor procura. Quem nele pensava apostar, retrai-se agora, fruto da elevada incerteza e risco que enquadra o setor”, sublinha.

Para Manuel Braga, a grande questão dos próximos meses é saber até que “ponto a recuperação que aparentemente hoje se vive no mercado imobiliário (com mais leads de procura, com mais negócios a serem realizados, e com uma dinâmica muito interessante a ser assegurada do lado comprador) não resulta apenas de um efeito” de ‘válvula de descompressão’ após mais de dois meses de confinamento sem sustentabilidade ao longo dos próximos meses, e que será alvo de um gradual efeito de erosão por via de quebras reais no turismo internacional, de um aumento do desemprego e sub-emprego e uma maior exigência por parte das instituições financeiras no âmbito da concessão de crédito à habitação”.

Manuel Braga assume que é preciso refletir e pensar numa estratégia para o futuro. “É provável que, à medida que o desconfinamento ocorra, a confiança regresse, mas a amplitude da queda de confiança dos profissionais no futuro próximo obriga a que se reflita sobre as melhores estratégias para acelerar a recuperação e a confiança dos consumidores”, afirma.

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