E se matam o turismo dos ovos de ouro?

Beneficiário acidental dos atentados terroristas que têm assolado destinos concorrentes desde o 11 de setembro, o turismo português precisa de superar em qualidade países que não pode suplantar em preço.

Basta caminhar por uma rua algarvia ao longo deste verão para reparar na falta de uma presença familiar. Os turistas britânicos, mas também alemães, sofreram uma redução de contingente, aparentemente trocados por franceses e italianos, e em menor número por oriundos dos mercados que se esperam emergentes, sejam orientais cheios de cautelas com a exposição solar ou brasileiros com elevado poder de compra.

Não faltam motivos, como se lê nesta edição, de apreensão quanto ao futuro do turismo português. Isto porque, além de fatores como o estrangulamento aeroportuário em Lisboa e aeronáutico na Madeira, todos os destinos concorrem entre si para atraírem turistas necessitados de dias bem passados, procurando a melhor experiência ao melhor preço. E tudo indica que chegámos a um ponto em que muitos deles encontram esses dias longe do retângulo à beira-mar plantado, rumando a zonas mediterrânicas que beneficiam de surgirem agora menos vezes nas notícias pelos motivos mais trágicos.

Beneficiário acidental dos atentados terroristas que têm assolado destinos concorrentes desde o 11 de setembro, o turismo português (em particular o algarvio) precisa de superar em qualidade países que não pode suplantar em preço, garantindo a sobrevivência do turismo dos ovos de ouro. Mas para a economia nacional, perigosamente dependente do setor, urge recordar lições aprendidas, de forma dolorosa, ao longo da História. Como quando o ouro deixou de chegar do Brasil. Ou quando, há menos de meio século, se cumpriu o mar, e o império se desfez.

Recomendadas

Três ideias chave para o futuro

Pessoa escreveu que Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce. E o sonho é conseguir “ver as formas invisíveis, da distância imprecisa”. No Jornal Económico, estamos desde setembro de 2016 unidos no sonho de criar um jornal independente e ao serviço dos leitores, oferecendo-lhes jornalismo de qualidade.

Desertificação não tem de significar abandono

A desertificação do interior do País é um fenómeno que se faz sentir há décadas, à medida que a população se foi concentrando nos centros urbanos do litoral. Trata-se de um problema difícil de resolver, mas será que o estamos a analisar a partir do ângulo correto?

Direita à deriva em Rio manso

“Na política, o que parece é”. Como já devem ter percebido, não sou exatamente dado a citar Salazar, mas lembrei-me da frase porque é apropriada no atual momento político.
Comentários