easyJet aumenta receitas e passageiros, mas recua nos lucros

A receita total da companhia aérea easyJet no ano fiscal que encerrou no final de setembro de 2019 aumentou 8,3%, para 6.385 milhões de libras, cerca de 7.428,2 milhões de euros ao câmbio atual (em 2018: 5.898 milhões de libras, cerca de 6.890,8 milhões de euros). Segundo  um comunicado da ‘low cost’, esta subida da […]

A receita total da companhia aérea easyJet no ano fiscal que encerrou no final de setembro de 2019 aumentou 8,3%, para 6.385 milhões de libras, cerca de 7.428,2 milhões de euros ao câmbio atual (em 2018: 5.898 milhões de libras, cerca de 6.890,8 milhões de euros).

Segundo  um comunicado da ‘low cost’, esta subida da receita “foi sustentada através do aumento de capacidade”.

Já a receita total por assento da easyJet diminuiu 1,8%, para 60,81 libras, cerca de 71 euros (em 2018: 61,94 libras, cerca de 72,4 euros), “impulsionada por alguma fraqueza na confiança do consumidor, e que foi compensada, principalmente, pelas iniciativas internas realizadas na segunda metade do exercício e pelo impacto positivo de greves na British Airways e Ryanair”.

“A easyJet terminou o ano fiscal de 2019 com um forte desempenho nos negócios e um verão recorde. Estamos a conquistar mais clientes do que nunca e somos a sua companhia aérea preferida, e resultado disso foi o facto da easyJet ter atingido um recorde de 96,1 milhões de clientes este ano. As nossas iniciativas internas revelam que conseguimos reduzir custos e obter um melhor desempenho, o que melhorou a receita por assento na segunda metade do ano”, foi a forma como Johan Lundgren, CEO da easyJet comentou estes resultados.

Segundo este responsável, “também investimos na solução de problemas para os nossos clientes através do nosso programa de resiliência operacional, que reduziu os cancelamentos em 46%, e os atrasos de três horas ou mais em 24%, ano após ano”.

“Todos esses esforços levaram a easyJet a ser a companhia aérea número um no Reino Unido em termos de satisfação do cliente, à frente da BA [British Airways] e da Jet2; e a marca aérea de primeira escolha, considerada a melhor na relação custo/benefício em toda a Europa”, garante Johan Lundgren.

“As iniciativas internas incluíam o foco na otimização do rendimento tardio, mantendo o compromisso de oferecer maior valor. A receita por assento, em moeda constante, para o ano encerrado a 30 de setembro de 2019, diminuiu 2,7%, mas aumentou 0,8% durante o segundo semestre, refletindo essas iniciativas internas”, explica um comunicado da easyJet.

Desta forma, a easyJet anunciou “um forte final de 2019 impulsionado pela criação de iniciativas internas em condições desafiantes do mercado”.

“Apesar do contexto desafiante, no ano, que terminou a 30 de setembro de 2019, a easyJet revela que entregou resultados do ano fiscal em linha com as expetativas, com lucro antes dos impostos no topo da orientação, alcançou uma receita sólida por assento durante o segundo semestre do ano, através das iniciativas internas que proporcionaram retornos valiosos demonstrou um bom desempenho operacional, graças ao programa de resiliência operacional em desenvolvimento e ao controlo contínuo de custos, apesar de um ambiente difícil de irregularidade no quarto trimestre (alterações climatéricas e problemas em LGW [aeroporto de Gatwick, em Londres])”, assinala o comunicado da easyJet.

O número de passageiros, no ano encerrado a 30 de setembro de 2019, aumentou 8,6%, para 96,1 milhões (em 2018, o crescimento havia sido de 10,2%).

Por seu turno, a capacidade aumentou 10,3%, “devido ao crescimento em todas as regiões”, enquanto a taxa de ocupação diminuiu 1,4 pontos percentuais, para 91,5%.

O custo total por assento, excluindo combustível em moeda constante, caiu 0,8%, para 43,11 libras, cerca de 50,4 euros, “devido, principalmente, à entrega bem-sucedida do programa operacional de resiliência, que reduziu os custos da irregularidade durante o ano financeiro de 2019”.

“O custo total por assento aumentou 1,5%, para 56,74 libras, cerca de 66,3 euros (em 2018: 55,87 libras, cerca de 65,3 euros), como resultado do aumento dos custos unitários de combustível e movimentos adversos de câmbio”, avança a easyJet.

Os responsáveis da companhia aérea destacam que ao longo deste último ano fiscal, foi alcançada uma economia de 139 milhões de libras, cerca de 162,4 milhões de euros, “graças aos programas de custo e eficiência” (em 2018, 107 milhões de libras, cerca de 125 milhões de euros).

O custo total por assento, incluindo o impacto de itens não principais, foi de 56,71 libras, cerca 66,2 euros (em 2018, 57,26 libras, cerca de 66,9 euros).

O lucro da easyJet, antes de impostos, caiu 26%, para 427 milhões de libras, cerca de 499 milhões de euros (em 2018, 578 milhões de libras, cerca de 675,3 milhões de euros), em direção ao topo da linha de orientação, que vai até ao máximo de 420 milhões de libras, cerca de 490,7 milhões de euros.

O lucro total, antes de impostos, por assento diminuiu 32,9%, para 4,07 libras por assento, cerca 4,75 euros (em 2018, 6,07 libras por assento, cerca de 7,1 euros).

Além disso, o lucro reportado, antes de impostos, caiu para 430 milhões de libras, cerca de 502,4 milhões de euros (em 2018, 445 milhões de libras, cerca de 52 milhões de euros).

A companhia aérea ‘low cost’ propõe um dividendo de 43,9 pence, cerca de 57 cêntimos de euros (em 2018, 58,6 pence, cerca de 68 cêntimos), sujeito à aprovação dos acionistas

Os responsáveis da easyJet salientam ainda a força do balanço da empresa, que dizem situar-se entre as melhores do setor, com uma posição de dívida líquida de 326 milhões de libras, cerca de 381 milhões de euros.

Prevê-se que as despesas de capital para o exercício financeiro até 30 de setembro de 2020 sejam de cerca de 1.350 milhões de libras, cerca de 1.577,2 milhões de euros.

Primeira companhia aérea com zero emissões de CO2

A easyJet reclama ainda que, a partir de ontem, dia 19 de novembro, se tornou a primeira grande companhia aérea do mundo a operar voos com zero emissões de carbono, “compensando as emissões de carbono do combustível usado nos voos”.

“A partir de hoje [ontem], todos os voos da easyJet terão zero emissões líquidas de carbono. Ao compensar as emissões de carbono do combustível usado nos voos em toda a sua rede, a easyJet torna-se na primeira grande companhia aérea com um impacto de carbono líquido zero. A compensação de carbono é uma medida provisória e continuaremos focados em reinventar o setor da aviação a longo prazo, através do desenvolvimento de combustível sustentável e do voo elétrico”, defende o referido comunicado.

A compensação das emissões de carbono do combustível usado em todos os voos deverá custar cerca de 25 milhões de libras, cerca de 29,2 milhões de euros, no exercício financeiro até 30 de setembro de 2020, “e isso irá refletir-se na nossa orientação dos custos totais de combustível”.

“(…) Sinto um enorme orgulho em anunciar que, a partir de hoje [ontem], seremos a primeira grande companhia aérea do mundo a operar voos com zero emissões de carbono em toda a nossa rede. Iremos fazê-lo através da compensação das emissões de carbono do combustível usado em todos os nossos voos. Reconhecemos que a compensação é apenas uma medida provisória, mas queremos agir agora sobre as nossas emissões de carbono”, assumiu Johan Lundgren.

O CEO da easyJet reclamou que a companhia aérea que dirige “tem uma longa tradição de voo eficiente – os aviões que voamos e a maneira como voamos significa que a easyJet já é mais eficiente do que muitas companhias aéreas”.

“No entanto, a nossa prioridade é continuar a trabalhar para reduzir a nossa pegada de carbono a curto prazo, juntamente com a nossa estratégia a longo prazo para apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo aviões elétricos, para que possamos reinventar o setor da aviação a longo prazo”, promete Johan Lundgren.

Relançamento da área de negócio ‘easyJet Holidays’

Em termos de futuro, “a ‘easyJet Holidays’ será lançada antes do Natal e irá oferecer férias na praia e na cidade, em toda a rede easyJet”.

“A flexibilidade desempenhará um papel fundamental na nova oferta, permitindo que os clientes aproveitem as férias da maneira que desejam, escolhendo entre uma enorme variedade de opções de voo combinadas com os hotéis favoritos da Europa”, garantem os responsáveis da companhia aérea.

A easyJet Holidays, que irá arrancar com clientes do Reino Unido, deverá atingir o ‘break-even’ no exercício financeiro até 30 de setembro de 2020.

“Estou muito satisfeito que, com o lançamento antes do Natal, do nosso novo negócio ‘easyJet Holidays’, possamos estar a dar flexibilidade e verdadeira qualidade ao mercado de férias. Agora, podemos oferecer aos nossos clientes mais de 100 destinos incríveis de férias na praia e na cidade, combinando a melhor rede de voos de curta distância da Europa com mais de 5.000 dos melhores hotéis da Europa. Acreditamos que existe uma lacuna no mercado para um negócio moderno, relevante e flexível para o consumidor atual”, confidenciou o CEO da easyJet.

Reservas tranquilizadoras para 2020 e preparação total para o ‘Brexit’

“Os ‘bookings’ [reservas] para o primeiro semestre do exercício de 2020 são tranquilizadores. As reservas já ultrapassam as do ano passado (reconhecendo que o segundo trimestre é um comparativo fraco)”, revela a dita nota informativa.

De acordo com os responsáveis desta companhia aérea, “o crescimento esperado da capacidade da easyJet, para o ano que termina a 30 de setembro de 2020, estará no final inferior do histórico de orientação entre 3% e 8% ao ano”.

“A receita principal das companhias aéreas por assento, em moeda constante, no primeiro semestre do exercício financeiro de 2020 deverá ser de baixo a médio dígito único. O custo das principais companhias aéreas por assento, excluindo combustível em moeda constante durante todo o ano até 30 de setembro de 2020, deverá aumentar um baixo dígito único, assumindo níveis normais de irregularidade”, prevê a easyJet.

“A easyJet opera, desde março de 2019, num estado de total preparação para todos os possíveis resultados do ‘Brexit’. Estamos estruturados como um grupo de companhias aéreas pan-europeias com três certificados de operador aéreo, sediados na Áustria, Suíça e Reino Unido”, sublinha o comunicado da transportadora aérea, acrescentando que “cerca de 50% do nosso capital social é detido por cidadãos europeus qualificados” e garantindo que n”continuamos a acompanhar de perto a procura dos clientes em relação ao ‘Brexit’.

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