A Oxford Economics manteve as suas projeções otimistas para a economia portuguesa, prevendo um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% em 2026 e 1,9% em 2027. Apesar de um arranque de ano mais lento em 2026, a consultora acredita que a solidez do mercado de trabalho e os fundos europeus serão os grandes motores da economia.
“O crescimento saudável dos rendimentos e o emprego recorde sustentam a perspetiva para o consumo privado, e o aumento dos gastos no âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (PRR) da UE impulsionará o investimento. Mas está em curso um abrandamento no setor do turismo, confirmando que as exportações líquidas não irão impulsionar significativamente o crescimento nos próximos anos”, defende o economista principal da consultora, Ricardo Amaro.
Um dos pilares do crescimento, segundo a análise, são o mercado de trabalho histórico. Portugal está com o desemprego em mínimos de 25 anos (5,6%) e o emprego a crescer acima dos 3%, o consumo das famílias continua resiliente.
Um ganho mensal sólido em dezembro deixou o emprego a subir 3,2% em 2025, em média. “Este ritmo de crescimento impressionante causou uma nova queda na taxa de desemprego para 5,6% em dezembro, igualando o valor mais baixo em 25 anos”, segundo o estudo.
A Oxford Economics considera que a rigidez do mercado de trabalho continua a sustentar o crescimento sólido dos rendimentos, que também está a beneficiar de medidas políticas que vão desde cortes de impostos a aumentos do salário mínimo.
Segundo o economista Ricardo Amaro, o primeiro trimestre de 2026 deverá registar um abrandamento pontual. O mau tempo severo e dados mais fracos na indústria e no retalho colocam alguma pressão negativa no curto prazo. No entanto, a Oxford Economics sublinha que se trata de uma situação passageira, esperando-se uma retoma vigorosa logo de seguida.
“Eventos meteorológicos severos reforçaram a nossa expetativa de um abrandamento temporário no crescimento do PIB no primeiro trimestre”, defende o economista principal Ricardo Amaro.
“Dados extremamente fracos da produção industrial e do retalho reforçam os riscos de queda para o primeiro trimestre, mas pensamos que o crescimento sólido será retomado depois disso”, acrescenta.
Por outro lado, alerta que “está em curso um abrandamento no setor do turismo, confirmando que as exportações líquidas não irão reforçar o crescimento nos próximos anos”, pelo que a Oxford Economics manteve as previsões de crescimento do PIB para Portugal globalmente inalteradas em 2,3% para 2026 e 1,9% para 2027, após um aumento de 1,9% em 2025.
As dormidas de não residentes subiram cerca de 1% em termos homólogos em dezembro, mantendo a média do ano abaixo de 1% pela primeira vez em 15 anos. Por fim, o gasto de fundos do PRR acelerou para quase 700 milhões de euros em janeiro, o valor mais alto até agora, reforçando as indicações positivas dos meses anteriores. No entanto, os gastos mensais permanecem abaixo do necessário para utilizar a totalidade do mecanismo até ao final do ano, e continuamos a assumir que haverá alguma margem de manobra para finalizar investimentos ligados ao PRR além deste ano.
Depois o investimento via PRR. O gasto de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência atingiu recordes em janeiro, o que deverá compensar a menor dinâmica noutros setores.
Por fim as contas públicas sanadas. Pelo terceiro ano consecutivo, Portugal deverá registar um excedente orçamental, com a dívida pública a cair para menos de 90% do PIB — um marco que não era atingido há 16 anos.
Os dados sugerem que as finanças públicas portuguesas registaram um terceiro excedente sólido consecutivo em 2025, com o rácio dívida/PIB a cair abaixo dos 90% pela primeira vez em 16 anos.”
Turismo perde fôlego
Nem todas as notícias são de aceleração. A consultora nota que o setor do turismo está a abrandar, com o crescimento das dormidas de estrangeiros a situar-se abaixo de 1%. Este fator confirma que as exportações já não darão o contributo explosivo para o PIB que se verificou em anos anteriores.
O estudo destaca ainda que no quarto trimestre de 2025, o PIB continuou a crescer a um ritmo acelerado, subindo 0,8% em termos trimestrais, após ter aumentado 0,7% no terceiro e segundo trimestres.
As medidas de rendimento e fiscais do governo apoiaram o consumo privado no segundo semestre de 2025, com a contribuição do comércio líquido a tornar-se também positiva no quarto trimestre, beneficiando de uma queda nas importações.
“Antecipamos um abrandamento temporário no crescimento do PIB no primeiro trimestre, impulsionado por algum ajuste no consumo privado e pelos recentes eventos meteorológicos severos” diz a consultora que acrescenta que “dados extremamente fracos da produção industrial e do retalho reforçam os riscos de queda em torno da nossa previsão de crescimento de 0,3% no primeiro trimestre”.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com