Economia social. Nasceu a base de dados de todas as organizações de impacto portuguesas

Apesar de o setor social representar 3% do VAB da economia portuguesa, a Nova SBE considera que existem poucas fontes de informação disponíveis e as que há têm dados insuficientes e sem atualização frequente. Bruna Riboldi explica ao Jornal Económico como investidores, as próprias organizações, investigadores, beneficiários e agências governamentais têm nesta base uma alternativa. 

Há uma nova fonte de informação sobre economia social em Portugal: a “Base de Dados Social“, uma plataforma digital desenvolvida pela Nova School of Business & Economics (Nova SBE) em parceria com a Fundação La Caixa e o BPI. Online deste quinta-feira, esta ferramenta, de acesso gratuito, faz o mapeamento de todas as organizações abrangidas pela Lei de Bases da Economia Social – ou seja, associações, cooperativas, misericórdias – e empresas de impacto social, com localização georreferenciada, contactos, órgãos sociais, público-alvo, número de beneficiários, fontes de receitas, número de colaboradores ou voluntários.

Apesar de o setor social representar 3% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da economia portuguesa (em 2016, mais 14,6% do quem em 2013, segundo os últimos dados do INE), os promotores desta iniciativa consideram que existem poucas fontes de informação disponíveis e as que há têm dados insuficientes e que não são são frequentemente atualizados. Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Bruna Riboldi, gestora de projeto no Nova SBE Data Science Knowledge Center, explica como investidores, as próprias organizações, investigadores, beneficiários e agências governamentais têm nesta base uma alternativa.

 

Qual a importância da ciência de dados para estudar a economia social?

Basicamente a Ciência de Dados pode ser utilizada para apoiar as organizações de impacto a resolverem os mais variados problemas sociais e ambientais. Como exemplo de projetos já realizados ou em desenvolvimento no DSKC, podemos mencionar um modelo de previsão de desenvolvimento da nefropatia diabética (desenvolvido em parceria com a APDP), uma ferramenta para prever o churn [taxa de rotatividade] de doadores (a ser desenvolvido em parceria com a Fundação AMI) e a identificação de padrões na pesca em Portugal, durante o período da pandemia (a ser desenvolvido em parceria com a ANP/WWF e a Docapesca).

Hoje, que desafio enfrentam as empresas com impacto social, depois de vários anos em que o acesso às fontes de financiamento era o obstáculo número um?

Um dos principais desafios das organizações com este perfil continua a ser a inexistência de um enquadramento legal claro para o conceito de empresa social em Portugal, o que pode ter um impacto relevante para que as empresas sociais sejam reconhecidas como tal em Portugal e no estrangeiro e, dessa forma, possam por exemplo maximizar a sua elegibilidade para determinadas oportunidades de financiamento.

Que fontes de informação são utilizadas para fazer esse mapeamento, além das públicas que exemplificam, como o Instituto de Registos e Notariado?

De início, foi feita uma recolha automatizada em diferentes fontes de informação, como fontes públicas (Instituto de Segurança Social, Câmaras Municipais, etc.), em organizações gestoras de um conjunto das organizações do setor social (IPSS, ONGDs, ONGAs, etc.) e websites e redes sociais das próprias organizações. Pretendemos continuar a utilizar estas fontes para atualização automatizada de algumas informações, mas o objetivo é que a partir do lançamento, à medida que as organizações sociais aderem à plataforma, as informações sejam fornecidas pelas próprias organizações de impacto portuguesas, através da atualização do seu perfil na plataforma.

Então, a que se deve a criação desta plataforma?

O objetivo principal é a partilha de informações de forma aberta e desagregada acerca do setor social português. Ao navegar na plataforma, o utilizador pode fazer a pesquisa por filtros específicos, alinhados com os seus interesses pessoais. Um potencial beneficiário de uma organização social ou a sua família, por exemplo, poderá identificar as respostas sociais de forma mais facilitada, enquanto que, para um investigador, o principal valor está em alavancar a sua investigação numa base de dados única e cada vez mais rica, sobre a economia social. A plataforma foi totalmente desenvolvida pelo Data Science Knowledge Center, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação La Caixa, o BPI e a Nova SBE.

 

Relacionadas

Economia social deixa de ser o parente pobre do empreendedorismo e inovação

Empresas, Governo, AIP e Comissão Europeia juntaram-se no encontro nacional de empreendedorismo e inovação social, em Lisboa, para mostrar que há mais mecanismos de apoio e empenho das organizações em mitigar as patologias sociais do país, sem esquecer o negócio.
Recomendadas

Livro revela que Elon Musk tentou ser CEO da Apple, mas dono da Tesla desmente rumor

“Não quero ser CEO de nada”, escreveu o Elon Musk na rede social Twitter na passada sexta-feira.

Testes de ‘stress’ do BCE analisaram Novo Banco entre os 51 médios e pequenos bancos abrangidos

De acordo com os dados publicados pela instituição, o banco liderado por António Ramalho poderia, num cenário adverso, perder entre 600 e 899 pontos base e atingir um CET1 ‘fully loaded’, ou seja, tendo em conta futuras exigências de capital, abaixo de 8%.

Discotecas podem reabrir no domingo com regras da restauração, afirma associação

“Um estabelecimento que é considerado como discoteca tendo o CAE de bar, à imagem daquilo que os bares podem fazer, neste momento, que é estar abertos até às duas da manhã, com regras da restauração, sendo que estas regras da restauração não é obrigatoriedade de servir comida, mas sim têm a ver com distanciamento entre mesas, o número limitado de pessoas por mesa ou a exigência de certificado digital à porta durante o período de fim de semana, portanto estas regras da restauração aplicadas aos bares permitem também a discotecas com CAE de bar que o façam”, declarou o presidente da ADN.
Comentários