Investigadores portugueses utilizam resíduos florestais para fazer biocombustíveis

Com a sustentabilidade cada vez mais na ordem do dia, cientistas do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho procuraram soluções para aproveitar toneladas de resíduos que diariamente aumentam a poluição ambiental.

Um projeto, a cargo de investigadores portugueses da Universidade do Minho, propõe-se a produzir biocombustíveis e embalagens funcionais a partir de resíduos florestais, para dar resposta à acumulação de detritos florestais provocada pelos incêndios em Portugal. O ‘EchoTech’ também servirá para desenvolver tecnologias sustentáveis que permitam a utilização de desperdícios agroindustriais para criar alimentos pré-bióticos.

Com a sustentabilidade cada vez mais na ordem do dia, cientistas do Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Universidade do Minho procuraram soluções para aproveitar toneladas de resíduos que diariamente aumentam a poluição ambiental. Com esse mote e, através da investigação da matéria orgânica gerada pelos sectores agroalimentar e florestal, o CEB concluiu que no aproveitamento destes resíduos existe a possibilidade de criar biocombustíveis, alimentos sustentáveis e embalagens funcionais (que melhoram a conservação de produtos alimentares).

Para tal, os investigadores estão a desenvolver tecnologias ecológicas que visam a extração de matérias-primas (celulose, hemicelulose e lignina) dos resíduos de diversos sectores da agroindústria e florestais, que irão permitir o desenvolvimento de novos produtos e aplicações de alto valor, inovadoras e “amigas” do ambiente. A previsão é de que o projeto esteja concluído em 2022.

“Considerando a grande quantidade de resíduos gerados nos diversos sectores da agroindústria e florestais, a exploração destes materiais para o desenvolvimento de produtos de alto valor tem uma grande importância na gestão e redução do seu depósito nos aterros e na sua valorização enquanto recurso renovável”, explica José Teixeira, investigador responsável por este projeto no CEB, que coordena o estudo em parceria com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, em São Paulo.

“O uso eficiente e seguro destes resíduos traz, na perspetiva da promoção economia circular, não só uma série de benefícios ambientais, como também económicos, uma vez que a implementação destes processos tecnológicos diferenciadores ajuda, por exemplo, a revalorizar uma produção ecológica derivada de excedentes naturais, promovendo um desenvolvimento sustentável”, acrescenta o investigador.

José Teixeira conclui que “a otimização da utilização destes recursos naturais e destas matérias-primas constituirá um elemento central para contribuir para um crescimento das indústrias amigo do ambiente, inovador e de valorização económica dos processos”, sublinha o investigador.

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