O grupo EDP anunciou hoje que vai reduzir o investimento em 22% em 2025 e 2026 depois do primeiro embate com Donald Trump e a saída da Colômbia.
“Moderar o ritmo do investimento em 2025-26 com uma redução de 22% versus o plano anterior”, pode-se ler no documento enviado ao mercado pela elétrica.
A EDP desce quase 5% na bolsa de Lisboa para mais de 3 euros, com a EDPR a afundar mais de 12% para 8,3 euros. A primeira apresentou uma descida no lucro de 16% para 801 milhões em 2024, com a segunda a apresentar prejuízos de 550 milhões com as medidas de Donald Trump e a saída dos projetos eólicos da Colômbia.
Já as adições de nova capacidade vão atingir 2 gigas em 2025 e 1,5 gigas em 2026, “mantendo um critério de baixo risco/retorno”.
A média anual de investimento nos próximos dois anos deverá assim atingir os 4,4 mil milhões de euros em contraste com os 5,7 mil milhões previstos em maio de 2024, com 25% a destinarem-se a redes de eletricidade e o restantes a renováveis, clientes e gestão de energia.
O investimento em energia solar e eólica vai estar focada em mercados de baixo risco: 85% alocados para a Europa e Estados Unidos.
A alocação de capital vai manter uma “abordagem seletiva e disciplinada”.
A apresentação não dá um guidance para este ano, mas reitera o guidance para 2026: EBITDA nos 4,9-5 mil milhões de euros )face aos 4,5 mil milhões de 2022), com lucros nos 1,2-1,3 mil milhões (900 milhões em 2022), e a dívida a escalar para os 16 mil milhões de euros face aos 13,2 mil milhões registados em 2022.
“Guidance para 2026 reiterado refletindo o perfil de baixo risco de energética integrada e o valor da diversificação de portefólio”, pode-se ler.
A companhia já anunciou o aumento do dividendo de 19,5 cêntimos por ação para 20 cêntimos a pagar em maio. Para 2026, promete manter um mínimo de 20 cêntimos.
O Brasil surge em destaque pois “continua a apresentar um forte potencial de crescimento: a procura de eletricidade nas regiões da EDP sobe 7% ao ano”. Sublinha a compra da totalidade da EDP Brasil que está a ter uma performance acima das expetativas iniciais e a exposição ao real tem sido mitigada com o financiamento na moeda local
Já Portugal e Espanha surgem como um “pilar-chave” dos resultados da EDP com melhoria de perspetivas para 2025-26: “modelo de negócio integrado com um mix diverso de produção e um portefólio de clientes que permite a gestão eficiente de preço e de risco”.
Lucros da EDP descem 16% em 2024 para 801 milhões
Os lucros da EDP desceram 16% para 801 milhões em 2024, com a companhia a ser penalizada pelo cancelamento dos projetos eólicos da EDPR na Colômbia.
Já o resultado líquido recorrente subiu 8% à boleia do “forte desempenho da atividade de produção e gestão de energia em mercado e o aumento do contributo das atividades de redes de eletricidade no Brasil, mais do que compensaram a redução do contributo” da EDPR.
A companhia destaca que o EBITDA recorrente superou os 5 mil milhões de euros (-1%) em linha com o previamente definido e que o resultado líquido recorrente atingiu os 1,4 mil milhões de euros, acima dos 1,3 mil milhões previstos.
Já o EBITDA proforma recuou 4% para os 4.800 milhões de euros. A dívida líquida subiu 2% para os 15.565 milhões de euros.
O conselho de administração vai propor aos acionistas a subida do dividendo de 19,5 cêntimos para 20 cêntimos por ação, conforme já definido, representando um payout ratio de 60%, ficando no intervalo mínimo da meta prevista para 2024-26.
A companhia anunciou também um programa de recompra de ações próprias até 100 milhões de euros num período de três meses, dado o “bom desempenho consolidado de 2024, a decisão de abrandamento do plano de investimento e a atualização de expetativas de desempenho para 2025-2026.
O investimento operacional consolidado recuou 19% para 4.745 milhões de euros, com o investimento líquido de expansão a descer 29% para 2.836 milhões de euros.
Do Capex total, 39% destinou-se à América do Norte, 15% tanto para Brasil como para Portugal, 14% para o resto da Europa, e 12% para Espanha.
Por segmento, o EBITDA eólico/solar caiu 16% impactado por menos ganhos na rotação de ativos e a queda de 3% do preço médio de venda de eletricidade.
Já o EBITDA proforma da produção e comercialização na Ibéria e Brasil subiu 9%, à boleia da subida de 16% na produção hídrica em Portugal.
Já o EBITDA das redes de eletricidade subiu 7% com o aumento do consumo de eletricidade no Brasil.
EDP Renováveis com prejuízos de 550 milhões
A EDP Renováveis registou prejuízos de 556 milhões de euros em 2024 ao nível do resultado líquido não recorrente, com imparidades registadas na operação offshore nos EUA e pelo cancelamento da operação eólica onshore na Colômbia, anunciou a empresa na quarta-feira.
Em termos recorrentes, a companhia viu os lucros afundarem 57% para 221 milhões de euros, com o “desempenho operacional a não ser suficiente para compensar os menores ganhos de rotação de ativos vs. 2023 e maiores resultados financeiros”.
Perante os prejuízos, a companhia apresentou um plano para dar a volta por cima: nos próximos dois anos, o ritmo de novas centrais vai recuar para um total de 3,5 gigas, com o Capex a ficar nos 3 mil milhões de euros este ano e abaixo deste valor em 2026.
Em termos de rotação de ativos, o plano é vender mais de 2,5 gigas para encaixar mais de 3 mil milhões de euros em 2025/2026.
A companhia destacou o recorde de nova potência atingido em 2024: 3,8 gigas.
A companhia esclarece que foi impactada negativamente por items não recorrentes na ordem dos 777 milhões de euros relacionado com a “imparidade em offshore nos EUA, bem como pela decisão de não prosseguir com os investimentos restantes necessários para construir os projetos eólicos de 0,5 gigawatts na Colômbia, resultando num impacto total de 590 milhões de euros entre imparidades, provisões para garantias ainda a serem incorridas e impostos”.
Sobre os EUA acrescentou que a imparidade foi de 133 milhões de euros ao nível da EDPR devendo-se a uma “decisão preventiva da Ocean Winds”, o consórcio com a Engie, “nos negócios offshore nos EUA devido à incerteza em torno dos projetos offshore nos EUA após as ordens executivas presidenciais emitidas em 20 de janeiro”.
A companhia avançou que as receitas aumentaram 4% para 2.320 milhões com o aumento da produção de eletricidade a ser “parcialmente compensado por preços mais baixos”.
Já o EBITDA não recorrente caiu 16% para mais de 1.500 milhões, com as imparidades e provisões a subirem mais de 60% para mais de 1.500 milhões.
Sobre o dividendo, a companhia vai propor aos seus acionistas a “continuidade do programa de Scrip Dividend com um payout de 40%, o que implica uma proposta de dividendo de € 8 cêntimos por ação”.
A produção da EDPR subiu 6% em 2024 face a 2023, atingindo mais de 36 TWh. A maioria teve origem em energia eólica em terra (85%), com a energia solar fotovoltaica a pesar 15%. Em 2024, a nova potência solar foi responsável por quase 75% da nova capacidade.
A produção da EDP Renováveis (EDPR) nos EUA disparou 17% em 2024, alcançando mais de 18 mil GWh. Os EUA representaram 50% da eletricidade produzida pela EDPR no ano passado, totalizando 36 mil GWh.
Em termos de capacidade instalada, a EDPR conta com 44% da sua potência instalada nos EUA (8,4 gigawatts de 19,3 gigawatts no total), sendo a maioria eólica onshore (mais de 5,9 gigawatts) e solar (2,5 gigawatts).
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