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EDPR vai lutar pelos seus direitos nos tribunais americanos

Depois de quatro anos a trabalhar no licenciamento, a autorização chegou no início de 2025, mas um processo em tribunal arrisca derrotar um projeto de cinco mil milhões.
19 Setembro 2025, 07h42

Aprovação das autoridades federais chegou no início deste ano, após uma “avaliação rigorosa de 4 anos”. Mas com um Governo Trump anti-eólicas marítimas (offshore), existe o risco de deitar por terra um projeto que estimado em 5 mil milhões de dólares.

A EDP Renováveis (EDPR) garante que vai lutar pelos seus direitos num tribunal norte-americano num caso que opõe o seu consórcio ao Governo de Donald Trump.

A Casa Branca quer anular a licença da central eólica marítima na costa leste dos EUA, um projeto da Ocean Winds, consórcio que junta a EDP Renováveis e os franceses da Engie.

“Nós – e várias outras empresas – vamos defender os nossos direitos nos fóruns adequados”, disse o presidente-executivo da EDPR na terça-feira.

“É, no fundo, uma percepção por parte da administração americana que não quer avançar com o eólico offshore. Nós, obviamente, achamos que faz sentido ter estes projetos do ponto de vista técnico, económico e ambiental. Por isso é que avançámos”, acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade em declarações durante uma visita a um projeto-piloto de uso de hidrogénio para produzir eletricidade na central a gás do Ribatejo.

O gestor fez questão de esclarecer que os EUA continuam a ser um mercado prioritário para a companhia. “Continuamos a defender que os Estados Unidos são um mercado de grande crescimento, com imenso potencial”.

“É importante separar aquilo que é o investimento no onshore, na eólica em terra, do solar, das baterias, que continua a ter grandes perspetivas de crescimento”, afirmou.

O projeto Southcoast Wind, ao largo da costa do Massachusetts, tem uma capacidade prevista de 2,4 gigawatts. A companhia deveria iniciar a construção este ano para estar operacional em 2030. O projeto estava suspenso desde fevereiro e ainda não havia decisão final de investimento.
O valor do projeto nunca foi revelado pelo consórcio, mas os custos podem atingir 5 mil milhões de dólares, segundo uma estimativa feita em 2023 pelo jornal especializado “North American Wind Power”.

A Casa Branca pediu este mês a um tribunal federal de Washington DC para revogar a licença de construção da central SouthCoast Wind.
A ofensiva anti-eólicas offshore de Trump começou há 14 anos, quando falhou em travar uma central ao largo de um dos seus campos de golfe na Escócia. O presidente já disse publicamente que considera os aerogeradores “feios e ineficientes”.

Mais uma vez, a experiência pessoal do presidente dos EUA parece interferir nas decisões que toma, com implicações de milhares de milhões de dólares, não olhando para os impactos de aprovações já dadas pelo Estado norte-americano, algo que não se associaria ao ambiente de negócios dos EUA, considerado até recentemente como um país bastante pró-investimento.

A intenção do Governo em cancelar o projeto da EDPR está numa moção submetida neste processo que foi originalmente instaurado este ano pela cidade de Nantucket, no estado de Massachusetts, para contestar o licenciamento.

A central está projetada para mais de 30 kms ao largo desta cidade, mas uma avaria noutra central, em 2024, fez com que as praias da região ficassem com detritos de uma turbina, provocando a reação negativa da autarquia contra outros projetos.

Na resposta à moção da Casa Branca, os advogados do consórcio Ocean Winds disseram que os procedimentos em curso “são um desejo descarado do presidente para eliminar todos os projetos eólicos offshore, independentemente dos seus impactos”, afirmaram, citados pela “Reuters”.


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