Efeito borboleta

Aos que se encontram a concluir a sua formação universitária, aguarda-os a garantia de um futuro incerto em que enfrentarão um mundo economicamente fragilizado. São tempos difíceis para os otimistas!

A Covid-19 mudou o modo como vivemos e trabalhamos de uma forma que será sentida durante os próximos anos. Após mais de um ano de desafios e interrupções sem precedentes, todos nos questionamos sobre como iremos viver, trabalhar e estudar no pós-pandemia. É altura de fazer o balanço da experiência dos últimos meses, destacar as lições aprendidas e definir estratégias que potenciem os resultados positivos desta experiência.

É inegável o impacto transversal da pandemia em todos os setores da sociedade e o ensino universitário não é exceção. Antes da “era Covid”, a grande maioria dos programas universitários seguia um modelo de ensino presencial. Mas, em março de 2020, a rápida disseminação do vírus forçou a migração brusca para um modelo de lecionação quase exclusivamente remoto. A comunidade académica viu-se obrigada a explorar novas formas de ensino e aprendizagem, o que veio colocar um desafio acrescido a alunos e professores, a par das dificuldades emocionais, físicas e económicas decorrentes da doença e da angústia de uma luta desigual e interminável contra um inimigo invisível, mas letal.

Hoje, passado mais de um ano desta nova realidade de ensino, invade-nos timidamente a sensação de nos termos conseguido adaptar com sucesso. Não nos iludamos! Continuamos a ter alunos (e docentes) esgotados, frustrados e exaustos. Para aqueles que, durante três anos de ensino secundário, prepararam a sua entrada na universidade, a adaptação a um contexto em que as limitações físicas se sobrepõem a qualquer outra necessidade tem sido uma experiência que não tinha lugar nas suas expetativas académicas. Aos que se encontram a concluir a sua formação universitária, aguarda-os a garantia de um futuro incerto em que enfrentarão um mundo economicamente fragilizado. São tempos difíceis para os otimistas!

Mas, apesar do lado negro da globalização evidenciado pelo Efeito Borboleta resultante do aparecimento do Sars-CoV-2 na China, em dezembro de 2020, nem tudo é negativo. O alcance deste “bater de asas” permitiu-nos tomar consciência e aprofundar os conceitos de humanidade partilhada e de cidadania global: somos cidadãos do mundo; partilhamos uma pandemia, mas também partilhamos um planeta e um futuro. É responsabilidade da academia assumir o propósito de consolidação e reforço destes conceitos através da promoção do bem comum por meio da cooperação académica, mantendo as fronteiras do conhecimento abertas, num esforço coletivo de estímulo do ensino e da investigação.

A solidariedade deve ser um valor subjacente ao ensino superior e às instituições universitárias, e a partilha de conhecimento no contexto de crise atual oferece uma oportunidade para transformar as universidades em termos de qualidade e igualdade. Mas não só! O sucesso da formação ministrada reflete-se tanto pela qualidade técnica dos seus graduados como pela sua formação como indivíduos, com princípios éticos e morais que se pretende que espelhem os valores implícitos nessa formação.

As oportunidades criadas pela crise pandémica para aprofundar os valores de partilha, sustentabilidade e consciência global, acompanhados da capacidade de resiliência que os atuais estudantes se veem forçados a desenvolver, permitem-nos olhar para o futuro com mais esperança. Não sabemos como irá ser, mas podemos estar confiantes que será o melhor possível!

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