Eleven Sports aposta em conteúdos ‘pay-per-view’ para mais “diversidade” e como elemento “dissuasor” de pirataria

Eleven Sports vai testar em Portugal um novo modelo de subscrição da plataforma de conteúdos desportivos por ‘streaming’, em que podem escolher assistir a um só evento desportivo sem obrigatoriedade de subscrição de um passe mensal ou anual.

Jorge Pavão de Sousa, diretor geral da Eleven Sports Portugal | Foto de Cristina Bernardo

A oferta da Eleven Sports (ES) em Portugal vai passar a contar com conteúdos pay-per-view a partir de sábado, 7 de dezembro, anunciou a empresa esta terça-feira. Trata-se de um novo modelo de subscrição que será testado no mercado português, sendo o combate de boxe entre Anthony Joshua e Andy Ruiz o primeiro conteúdo abrangido pela nova funcionalidade. Em declarações ao Jornal Económico, o diretor-geral da Eleven Sports Portugal, Jorge Pavão de Sousa, aponta a nova forma de consumo como arma contra a pirataria, além de ser uma resposta ao mercado português.

Trata-se de um teste para já, mas o novo conceito de subscrição da operadora de conteúdos desportivos por streaming assegura a possibilidade de consumir e assistir aos conteúdos da ES Portugal por 4,99 euros, sem obrigatoriedade de subscrição de um passe mensal ou anual. A nova modalidade de subscrição por conteúdo também deverá ficar disponível através das operadoras de televisão por subscrição com quem a Eleven Sports tem acordos de transmissão em Portugal (NOS, Vodafone Portugal e Meo), numa fase posterior.

“Damos assim possibilidade aos fãs de só pagarem pelo evento que querem assistir em direto, mesmo que não sejam subscritores regulares da Eleven Sports. Isto é absolutamente inovador e um passo importante para consolidarmos a nossa posição de marca disruptiva e atenta às novas tendências de consumo por parte dos fãs de desporto global”, afirma o diretor-geral da Eleven Sports Portugal, Jorge Pavão de Sousa, ao Jornal Económico.

“Estamos otimistas de que será um teste bem sucedido. Mais tarde, a ideia é, precisamente, alargar a outros eventos desportivos globais e modalidades que saibamos serem do interesse dos adeptos do desporto”, acrescenta.

O principal objetivo da ES Portugal será uma maior proximidade com os adeptos de desporto, de forma “cada vez mais flexível”. “Acredito que neste canal de streaming dos conteúdos desportivos, esta será mais uma forma de acesso e de nos mantermos próximos das expectativas dos consumidores”, diz.

Questionado quanto a expectativa sobre o alcance do novo modelo, Jorge Pavão de Sousa responde, sem quantificar: “Acreditamos que vamos conquistar uma grande diversidade de adeptos”. Para o diretor-geral da ES o novo modelo de subscrição a ser testado vai permitir “analisar comportamentos face a necessidades identificadas pelos fãs”.

“Estivemos sempre muito atentos às sugestões e pedidos por parte dos nossos fãs”, sublinha.

Jorge Pavão de Sousa acredita, ainda, que “o futuro passará, também , inevitavelmente, pela aplicação deste modelo”, para dar liberdade de escolha aos consumidores, “que querem ver pagar só por um conteúdo específico”.

Além de seguir as sugestões dos adeptos de desporto, a Eleven Sports vê neste novo modelo de subscrição uma forma complementar de combate a quem retransmite, de forma ilícita, os seus conteúdos – vulgo pirataria. “Ao lançarmos este primeiro conteúdo desportivo pay-per-view, [também] acreditamos que isso é absolutamente dissuasor de eventuais tentativas de aceder ilegalmente a este, ou a qualquer outro tipo de conteúdos”, salienta Jorge Pavão de Sousa.

No sector dos media portugueses, concretamente nos conteúdos desportivos por subscrição, o pay-per-view não é uma novidade. A Sport Tv, a concorrente direta da Eleven Sports Portugal, lançou em 2013 um serviço idêntico. A diferença para esta nova funcionalidade da ES Portugal, é que no caso do canal  liderado por Nuno Ferreira Pires, a subcrição pay-per-view consistia num pacote de 24 horas para assistir aos canais da Sport TV sem obrigatoriedade de subscrição mensal ou anual.

A solução da Sport TV passou despercebida no mercado, o que leva, agora a ES Portugal a acreditar neste modelo? “O mercado é dinâmico e, entretanto, passaram seis anos e hoje há mais players desportivos no mercado do que havia em 2013. Acredito que a nossa proposta é mais diferenciadora, porque estamos a falar de um pay-per-view para um conteúdo específico e não para um determinado período”, responde Jorge Pavão de Sousa.

Mas terão os consumidores portugueses hábitos de consumo que se ajustem à subscrição pay-per-view? “Creio que é uma questão de tempo até os portugueses se habituarem a este tipo de formato e aderirem de forma mais racional e económica aos eventos do seu interesse específico. Não só porque os favorece do ponto de vista da otimização da oferta, como lhes dá a capacidade de escolha – isso é fundamental num mercado tão competitivo”, conclui o diretor-geral da Eleven Sports Portugal.

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