Eleven Sports quer conteúdos “mais próximos do consumidor português”

Empresa chegou a acordo com as maiores operadoras no último mês e fixou a sua marca em Portugal. Próxima fase: identificar novas oportunidades. Diversificação passa por mais modalidades na grelha.

Depois de ter chegado a acordo com as principais empresas de telecomunicações em Portugal, a Eleven Sports (ES) quer agora entrar numa nova fase de expansão e consolidação para atingir a desejada liderança no mercado nacional de conteúdos desportivos até ao fim da temporada desportiva 2020/2021. O acordo alcançado com a NOS, Vodafone, MEO e Nowo abre uma janela de novas oportunidades que estão a ser identificadas pela gestão do diretor-geral da ES Portugal, Jorge Pavão de Sousa.

Em conversa com o Jornal Económico sobre as expetativas para a atividade futura da ES Portugal, agora que os conteúdos desta distribuidora estão disponíveis para subscrição para todos os clientes das operadoras – além da existência da plataforma over-the-top (OTT) -, o gestor revelou: “Um dos nossos eixos de atuação será identificar um conjunto de conteúdos desportivos que possam estar mais próximos do interesse do consumidor português”.

Sem anunciar conteúdos específicos, Jorge Pavão de Sousa admitiu que “há modalidades amadoras e alguns novos desportos na iminência de entrar na Eleven Sports”.

“As modalidades amadoras nunca encontraram possibilidades, até à data, de estarem numa grelha. Mas mesmo não estando em grelha, nós temos a plataforma OTT, que pode dar visibilidade de conteúdo e dar espaço a algumas dessas modalidades”, justificou o gestor.

O futebol feminino poderá ser uma hipótese, até porque “é um desígnio muito grande da UEFA”,  cujos direitos de transmissão da Liga dos Campeões são detidos, em Portugal, pela ES.

E a primeira liga portuguesa será uma possibilidade no futuro? “Quando [os direitos de transmissão] estiverem disponíveis”, uma negociação pelos jogos da Liga NOS poderá surgir. E tal como pode surgir interesse na primeira liga, o mesmo pode ser suscitado por jogos da segunda liga ou em direitos de transmissão de clubes específicos. Contudo, Jorge Pavão de Sousa esclareceu que a sua equipa está, sobretudo, “a olhar [para o mercado] de uma forma muito precisa”, uma vez que há que salvaguardar a sustentabilidade da operação da empresa.

“A nossa estratégia não é a de empolar o custo do futebol nacional, comprando de forma desgarrada direitos a quatro ou cinco clubes”, explicou o gestor, para quem o desporto-rei em Portugal está a ser sub-aproveitado.

O que falta explorar? “O valor da marca e a internacionalização dos conteúdos relativos ao futebol português”, respondeu Jorge Pavão de Sousa, indicando que está por promover a imagem “dos quatro ou cinco melhores clubes de futebol portugueses, cuja exposição e visibilidade internacional é muito diminuta”.

Na origem dessa falta de exposição está, “provavelmente, uma falta de foco ou de interesse em trabalhar essa componente até à data”, salientou o diretor-geral da ES Portugal, para quem este seria o momento ideal para marcar a diferença. “Era a altura certa de algumas conversas serem espoletadas para saber como é que as marcas clubísticas podem extravasar o que é Portugal e explorar o mercado da saudade, que de forma natural acede aos conteúdos [das ligas portuguesas] de forma ilegal e pirateada”. O gestor acredita que o futebol nacional, incluindo clubes de segunda linha, poderiam ver no chamado “mercado da saudade” uma oportunidade de integrar “uma plataforma mais global”. “Há uma estratégia que passa pela OTT que poderia ser elo de ligação entre os clubes nacionais e as pessoas a partir da Alemanha, da Suíça ou dos EUA e Canadá”, exemplificou.

E apontou que está por testar o que “pode ser a presença das grandes marcas dos clubes nacionais nas plataformas de distribuição nos mercados internacionais”.

“A cada mês que passa estamos todos a perder tempo, tendo em conta que temos gigantes tecnológicos a querer entrar no domínio dos direitos desportivos globais”, alertou Jorge Pavão de Sousa. Para o homem-forte da Eleven Sports, em Portugal, “há um caminho grande que tem de ser percorrido com alguém” – a ES Portugal aparenta, assim, estar interessada na promoção do futebol nacional.

Neste sentido, Jorge Pavão de Sousa admitiu que a ES Portugal já foi abordada por clubes portugueses, “no sentido de conhecer e perceber o potencial deste mercado e como pode a ES acelerar essa discussão sim”.

Esse potencial passará, eventualmente, por outros domínios do futebol nacional, numa lógica mais empresarial, onde a ES Portugal também poderá ter interesse.

“Se houver interesse num diálogo mais construtivo em que podemos trabalhar numa liga de forma extensível, seja a nível de naming rights seja a nível de projeção de conteúdo internacional, estamos abertos”, afirmou Jorge Pavão de Sousa.

Assim, Pavão de Sousa reforçou  que a “global footprint da Eleven Sports, numa estratégia diferenciada em determinadas geografias do mundo, pode ter um apelo mais específico para conteúdos de desporto nacional que não estão maximizados ao nível do seu valor internacional”.

“Devíamos perceber que o futebol é, provavelmente, uma das indústrias mais competitivas que Portugal tem comparativamente com as congéneres europeias. Temos a quinta ou a sexta liga mais valiosa, mas do ponto de vista do conteúdo ainda não está suficientemente atrativo para o mercado internacional”, concluiu.

Artigo publicado na edição nº 1980 do Jornal Económico, em 15 de março.

Jorge Pavão de Sousa, Eleven Sports: “Todas as operadoras estão em pé de igualdade”

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