Mediadores imobiliários: “Em 2022 vão surgir oportunidades no interior do país”

Presidente da APEMIP acredita que os grandes grupos continuarão a investir, apesar do fim dos Vistos Gold em Lisboa e no Porto.

O mercado do imobiliário mostrou resiliência durante a crise pandémica e o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Paulo Caiado, acredita que a tendência se manterá no próximo ano, ainda que existam preocupações, como o fim das moratórias ou dos Vistos Gold em Lisboa e no Porto.

 

Quais serão os principais desafios para as empresas mediadoras em 2022?
Contra todas as expectativas iniciais sobre o impacto da Covid-19, o sector imobiliário português conseguiu apresentar soluções e o mercado respondeu com confiança. De realçar que as obras de construção não pararam e mesmo na mediação imobiliária, apesar das quebras no primeiro confinamento, rapidamente foi possível assistir a um crescimento. Os preços permaneceram estáveis e também não se assistiu a uma quebra nas vendas das casas. Como a banca permanece com incentivos aos empréstimos à aquisição de habitação, a compra de casa usada também tem continuado ao ritmo anterior à pandemia, até porque as baixas taxas de juro têm igualmente contribuído.
Um dos grandes desafios do sector será a resposta do mercado no final das moratórias. Muito se tem especulado sobre este tema, mas acredito que a banca está preparada para dar respostas.
Outro dos desafios diz respeito ao orçamento do Estado para 2022 (OE2022). Aqui, temos um papel a desempenhar no sentido de debater a questão da habitação. Assim, defendemos a criação de uma solução definitiva para o fim do congelamento das rendas. Já manifestámos a nossa preocupação sobre o [seu] adiamento nos contratos anteriores a 1990 no OE2022. Consideramos também essencial que continuem a ser auferidos apoios relativos ao pagamento de rendas habitacionais e não habitacionais, nos mesmos moldes previstos no OE 2021.
O OE2022 deve prever [investimento] na recuperação do património do Estado, para que, posteriormente possa ser dada especial atenção à habitação acessível para os jovens e para os mais desfavorecidos em todo o país, colocando os imóveis reabilitados a preços acessíveis. É necessário atrair consumidores nas grandes áreas metropolitanas, assim como nas zonas mais despovoadas. Por ter sido um ano atípico, entende-se ainda que deve ser reforçada a transferência de verbas a favor do Instituto da Habitação da Reabilitação Urbana.
Outro desafio para a mediação diz respeito ao final da concessão de Vistos Gold nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto e zonas costeiras, no final deste ano. Em 2022, vão surgir oportunidades no interior do país. A mediação imobiliária poderá ter aqui um papel importante de perceber se o interior será também uma fonte de atração de investimento.

 

Qual o papel que o PRR poderá desempenhar no sector imobiliário?
Sabemos que o PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] vai ser um instrumento financeiro fundamental para ajudar na recuperação do país. Para o sector do imobiliário, o foco está na implementação de programas direcionados para a habitação acessível, de forma a criar condições para garantir habitação digna a todos os portugueses. Neste sentido, é importante que exista comunicação entre investimento privado e público e que os resultados sejam vantajosos para ambos. Com a Nova Geração de Políticas de Habitação e o programa da Renda Acessível têm sido dados alguns passos. Parte do PRR é para resolver as questões da carência habitacional e alguns programas já estão em curso com a colaboração com o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana. Além disso, outros financiamentos no âmbito do PRR estão direcionados para a modernização de um parque edificado e para a dinamização de edifícios sustentáveis. Outro objetivo do PRR é incentivar à Economia Circular e onde a construção e todo o ciclo imobiliário pode ser melhorado e transformado. A mediação faz parte deste ecossistema e como tal temos a obrigação de participar na recuperação e dinamização do mercado imobiliário.

 

Portugal vai continuar a ser país atrativo para investir?
Apesar do final da concessão de Vistos Gold nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto e zonas costeiras, no final deste ano, como já referido, Portugal será sempre um país atrativo para investir em diferentes tipos de soluções imobiliárias. Não falamos só em matéria de habitação de luxo para estrangeiros. Os grandes grupos financeiros, fundos internacionais continuam a investir em Portugal e vão continuar. Em todos os segmentos do mercado, os preços são mais baixos do que na maioria dos países de Europa e dos outros destinos internacionais. O nosso país é um destino muito atrativo para investir. E se a procura estava a aumentar antes da pandemia, continuará no futuro.

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