Em 2050 haverá mais plástico nos oceanos do que peixe

Atualmente, há 5,25 biliões de partículas de plástico espalhadas nos oceanos, pesando cerca de 268 mil toneladas. A grande maioria encontra-se entre o Atlântico sul e norte, o Pacífico sul e norte e o oceano Indico.

Em 2050 haverá mais plástico nos oceanos do que peixe. A produção de plástico aumentou vinte vezes entre 1960 e 2014, passando de 15 milhões de toneladas para 311 milhões. A DECO notícia ainda que “13 milhões de toneladas vão parar diretamente ao mar”. Segundo a publicação, para a produção atual de plástico “são necessários 17 milhões de barris de petróleo”.

O Jornal Económico escreveu um artigo com algumas dicas que ajudam o leitor a reciclar o plástico.

Atualmente, há 5,25 biliões de partículas de plástico espalhadas nos oceanos, pesando cerca de 268 mil toneladas. A grande maioria encontra-se entre o Atlântico sul e norte, o Pacífico sul e norte e o oceano Indico. As correntes marítimas levam o plástico para os vários cantos do mundo. Uma equipa de cientistas, na qual participou Simon Boxall, professor de oceanografia da universidade de Southampton, no Reino Unido, encontrou, numa ilha remota no Árctico, amostras de plástico oriundas do Reino Unido, Holanda, Noruega, Estados Unidos, Canadá e França.

Outro estudo concluiu que apenas dez rios são responsáveis por 90% de todo o plástico encontrado nos oceanos do planeta. Entre estes, oito são asiáticos (Yangtze, Indus, Amarelo, Hai Che, Ganges, Rio das Pérolas, Amur e Mekong ) e dois estão em África (Nilo e Níger). Todos os rios têm dois pontos em comum: uma alta densidade populacional, muitas vezes com vários milhões de habitantes, e infra-estruturas débeis para lutar com o desperdício.

O depósito de plástico nos oceanos é, por isso, um problema à escala global. Vários cientistas e ativisitas ambientais alertam para a urgência em encontrar mecanismos de limpeza dos nossos oceanos. No entanto, a tarefa não será fácil e pode até ser impossível.

Num artigo publicado no site do Fórum de Comércio Mundial (FCM), Simon Boxall revelou que a realidade dos números apresentados obstam à filtragem da água dos oceanos, “tudo o que podemos fazer é reduzir, reciclar e monitorizar” o plástico. E, mesmo que fosse possível, retirar-se-ia todo o fitoplâncton que é essencial para fotossíntese, avisou-

Além disso, a verdade é que o plástico não só é necessário como também possui características que negam as pretensões de vários ativistas ambientalistas em banir o plástico. “Um material [o plástico] que não se destrói durante 5.000 anos tem valor. Pode-se reutilizá-lo infinitamente. O problema não é o próprio plástico. O problema é como o utilizamos”, lê-se noutra publicação do FCM. Hoje em dia, o plástico encontra-se em todo o lado desde produtos sem grande importância até a sofisticados instrumentos de medicina.

Neste sentido, várias instituições e nações mundiais adoptaram novas políticas para a utilização de plástico. Em dezembro de 2017, 198 países membros das Nações Unidas assinaram a resolução para reduzir a quantidade de plástico no mar. A China, o maior consumidor de plástico no mundo, tem feito esforços no sentido de reduzir o consumo e o desperdício de plástico , os quais foram elogiados por Erik Solheim, diretor executivo para o ambiente das Nações Unidas. Na Índia, Narendra Modi, primeiro-ministro indiano, comprometeu-se a eliminar os produtos de plástico de utilização única no país até 2022, sendo que a medida já entrou em vigor na capital, Nova Deli.

Na Europa, em maio passado, a Comissão Europeia adotou regras para reduzir o plástico presente nos oceanos, impondo eliminações ou limites de produtos plástico de utilização única. Segundo os dados avançados pelo organismo, estes produtos são responsáveis por 70% de toda a matéria plastificada encontrada nos oceanos. Entre as proibições, as regras europeias baniram do mercado palhinhas, pratos e talheres de plástico, entre outros. Os Estados Membros terão ainda que reduzir a utilização de copos e recipientes de plástico, por exemplo.

O plástico não é apenas um problema relativo à poluição. Destrói ainda a vida maritíma, estimand-se que 100.000 animais marinhos morrem todos os anos, com consequências nefastas para o ecossistema. Além disso, também a saúde humana corre risco, uma vez que  é possível consumir peixe peixe que ingeriu o plástico.

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