Em lume brando

Há quem critique a União Europeia por não ser mais incisiva nas palavras que dirige a Boris Johnson, mas a UE parece estar a ser cínica e calculista.

Há quem critique a União Europeia por não ser mais incisiva nas palavras que dirige a Boris Johnson. Nessa perspetiva, de que fogo se combate com fogo, a UE deveria ser menos silenciosa e convidar o Reino Unido a sair sem um acordo. “No ifs or buts”.

A UE parece estar a ser cínica e calculista. Desde logo, observa a forma como as instituições britânicas se vão enterrando no pântano e como a economia sangra diariamente com decisões adiadas e incertezas. A UE simplesmente vai deixando que a situação se deteriore. Resguardada numa exigência plenamente justificável e politicamente correta – o backstop – a UE não aparece como o “mau da fita” e o Reino Unido, dividido e enfraquecido, mostra a todos como é difícil sair da União. Naturalmente, a UE tem muito a perder, mas será ainda pior se for criado um manual de instruções funcional para a saída de um país.

É crucial insistir que a saída seja feita com um acordo. Não tanto pela existência de um envelope financeiro de compensação, mas porque não é sensato desafiar o destino e facilitar um Brexit desordenado. Seria um evento com consequências verdadeiramente imprevisíveis e que não está totalmente descartado.

Recomendadas

Falta de liquidez é o principal fator que leva cotadas a abandonar a bolsa portuguesa, diz a OCDE

A OCDE sublinha que, nas últimas duas décadas, o número de empresas cotadas na bolsa de valores portuguesa diminuiu em dois terços, de 148 para 55, resultado de uma queda no número de novas listagens e um grande número de empresas que deixaram o mercado de ações através de cancelamentos de registo.

Juros da dívida portuguesa sobem a dois, a cinco e a 10 anos

Cerca das 08:30 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 0,582%, contra 0,571% na quarta-feira, depois de terem subido até 1,441% em 18 de março.

Bolsa portuguesa acompanha Europa em queda. BCP pressiona PSI 20

Após três sessões consecutivas de ganhos, o principal índice bolsista português (PSI 20) perde  0,86%, para 4.595,97 pontos, em linha com as principais congéneres europeia.
Comentários