Em lume brando

Há quem critique a União Europeia por não ser mais incisiva nas palavras que dirige a Boris Johnson, mas a UE parece estar a ser cínica e calculista.

Há quem critique a União Europeia por não ser mais incisiva nas palavras que dirige a Boris Johnson. Nessa perspetiva, de que fogo se combate com fogo, a UE deveria ser menos silenciosa e convidar o Reino Unido a sair sem um acordo. “No ifs or buts”.

A UE parece estar a ser cínica e calculista. Desde logo, observa a forma como as instituições britânicas se vão enterrando no pântano e como a economia sangra diariamente com decisões adiadas e incertezas. A UE simplesmente vai deixando que a situação se deteriore. Resguardada numa exigência plenamente justificável e politicamente correta – o backstop – a UE não aparece como o “mau da fita” e o Reino Unido, dividido e enfraquecido, mostra a todos como é difícil sair da União. Naturalmente, a UE tem muito a perder, mas será ainda pior se for criado um manual de instruções funcional para a saída de um país.

É crucial insistir que a saída seja feita com um acordo. Não tanto pela existência de um envelope financeiro de compensação, mas porque não é sensato desafiar o destino e facilitar um Brexit desordenado. Seria um evento com consequências verdadeiramente imprevisíveis e que não está totalmente descartado.

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