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“Em Portugal, os canadianos sentem-se em casa. Isso é ‘priceless’”

Brasil teve o melhor ano de sempre com receitas de um milhão de euros, enquanto nos EUA começa a existir uma “fragmentação” entre os ultra ricos e classe média alta. Já o Canadá terá três novas rotas para as regiões autónomas e Lisboa porque os canadianos “sentem-se em casa quando nos visitam”, refere diretora do Turismo de Portugal no Canadá.
24 Fevereiro 2026, 16h13

São duas formas diferentes de olhar para o turismo português. De um lado, um país que vive sob a neve durante mais de metade do ano e por isso anseia por sol. Por outro, dois territórios que apreciam os diferentes tipos de luxo que o nosso país oferece. É desta forma que os especialistas do Turismo de Portugal, para o Canadá, Brasil e Estados Unidos analisaram o setor no painel ‘Novas Tendências: As Américas’, inserido na conferência ‘Visit Portugal’, que decorre na Estufa Fria, em Lisboa esta terça-feira.

“O Canadá tem tido um desempenho muito positivo nos últimos anos. Vivemos debaixo de neve mais de metade do ano e chegar a Portugal em fevereiro com 20º é uma maravilha para os canadianos, além da hospitalidade. Os canadianos sentem-se de facto em casa quando nos visitam e isso é priceless“, afirmou Inês Almeida Garrett, diretora do Turismo de Portugal no Canadá.

Como tal, deu conta de que vão existir três novas rotas aéreas a partir do Canadá. Duas para as regiões autónomas dos Açores e da Madeira e uma terceira para Lisboa. “Acho que os canadianos são turistas interessantes e interessados, valorizam imenso a simpatia dos portugueses, a comida e o vinho. A tendência é virem, terem boas experiências e recordações”, referiu.

A responsável salientou que há um arrefecimento do turismo canadiano devido à relação com os EUA, provocado pela questão das tarifas, a desvalorização do dólar canadiano e mais recentemente com a situação de Cuba.

“De repente ficou sem petróleo e a Air Canada repatriou três mil canadianos numa semana”, realçou, assumindo que os mercados estão economicamente mais conscienciosos e como tal isso é uma preocupação das empresas”, sublinhou.

Por sua vez, Rita Febrer, diretora do Turismo de Portugal nos Estados Unidos, assumiu que os recentes episódios levaram a que exista alguma cautela dos turistas norte-americanos, mas que 48% mantém intenção de viajar para Portugal e 68% pretendem aumentar as despesas em 2026.

“São menos sensíveis ao preço e mais sensíveis à qualidade dos serviços. Quanto mais autêntico e melhores experiências poder oferecer mais valor Portugal ganha, e o país tem uma oferta riquíssima”, afirmou.

A responsável enfatizou que no território norte-americano existe cada vez mais uma diferença entre o turismo premium e de luxo. “O mercado está mais fragmentado entre ultra ricos e classe média alta. Os ultra ricos hoje em dia valorizam experiências como assistir a um grande prémio de Fórmula 1, uma prova do PGA Tour (golf) ou estarem presentes na passadeira vermelha de um evento importante”, referiu.

Também Bernardo Cardoso, diretor do Turismo de Portugal no Brasil e Argentina, destacou o turismo de luxo, como a grande tendência no mercado brasileiro. “Está em alta, principalmente as experiências imersivas. Tivemos o melhor ano de sempre em receitas com um milhão de euros. Temos mais de 600 mil brasileiros a viver em Portugal”, salientou, acrescentando que na Argentina a curto prazo “teremos um mercado com um potencial gigantesco, apesar de ainda não termos voos diretos”.

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