Emirados Árabes Unidos apresentam primeira astronauta, mas direitos das mulheres ainda são contraditórios

Antes de se tornar a primeira astronauta, Al-Matrooshi completou um bacharelato em engenharia mecânica pela Universidade dos Emirados Árabes Unidos, estando atualmente a desempenhar funções como engenheira na Companhia Nacional de Construção de Petróleo.

Nora Al-Matrooshi é a primeira astronauta do género feminino nos Emirados Árabes Unidos, tendo sido escolhida de um conjunto de 4.305 candidatos, revela a “CNN”. À astronauta de 28 anos junta-se Mohammed Al-Mulla, do género masculino, revelou o primeiro-ministro do Dubai.

“A Nação proporcionou-me hoje momentos inesquecíveis. Tenho como objetivo trabalhar arduamente para protagonizar momentos e conquistas históricas que ficarão gravados para sempre na memória do nosso povo”, escreveu Al-Matrooshi na rede social Twitter. “Agradeço a sábia liderança e a equipa do Programa de Astronautas dos Emirados Árabes Unidos. Os preparativos e o trabalho começam agora”, assinalou.

Antes de se tornar a primeira astronauta, Al-Matrooshi completou um bacharelato em engenharia mecânica pela Universidade dos Emirados Árabes Unidos, estando atualmente a desempenhar funções como engenheira na Companhia Nacional de Construção de Petróleo.

Ainda que o país tenha assinado vários tratados internacionais progressistas relativamente à proteção das mulheres, os direitos do género feminino permanecem uma área cinzenta.

Atualmente, as mulheres nos Emirados têm os mesmos direitos que os homens, podendo votar, conduzir, ter propriedades, trabalhar e obter educação contínua. Ainda assim, alguns estados dentro dos Emirados exigem a aprovação do tutor da mulher, geralmente progenitor ou cônjuge desta.

O “Human Rights Watch Group” reconhece os avanços realizados pelos Emirados Árabes Unidos perante as mulheres nos últimos ano, nomeadamente as proteções relacionadas com violência doméstica, mas denuncia que é preciso fazer mais. “As leis ainda dão autoridade a um tutor masculino sobre as mulheres, e omissões [da lei] permitem penas reduzidas para homens por matar um parente do sexo feminino”, reflete a “Human Rights Watch Group”.

“As recentes reformas dos direitos das mulheres nos Emirados Árabes Unidos são um passo na direção certa, mas na verdade não vão longe o suficiente para desmantelar a profunda discriminação contra as mulheres na lei e na prática”, apontou Rothna Begum da entidade.

Relativamente ao emprego, as mulheres têm de ter autorização do seu tutor. Ainda assim, legalmente as mulheres dos Emirados Árabes Unidos recebem o mesmo salário que um homem que está na mesma posição. Atualmente, as mulheres compõem mais de 33% dos empregos no sector público nos Emirados e 40% da força de trabalho em todo o conglomerado.

Relativamente a negócios próprios, sabe-se que 10% dos negócios atuais do sector privado são criados e detidos por mulheres, sendo ainda que este género está em 15% dos conselhos de administração de comércio e indústria.

O “Human Rights” apontou que os direitos das mulheres nos Emirados voltaram a ser um ponto fulcral de escrutínio após a filha do Emir do Dubai revelar ter sido alegadamente sequestrada pelo próprio pai, bem como a sua irmã mais velha.

“Os Emirados Árabes Unidos realizaram algumas reformas, como proibir a discriminação com base no sexo e género na lei da antidiscriminação do país, e revogar as disposições legais que obrigavam as mulheres a ‘obedecer’ aos seus maridos”, elogia a entidade, acrescentando em seguida que a lei tem tantas lacunas que as mulheres podem ser punidas pelos seus maridos quando rejeitam ter relações sexuais sem uma “desculpa legal”, do ponto de vista legal. As mulheres também podem ser punidas legalmente caso aceitem um trabalho “fora da lei, do costume ou necessidade”, uma vez que vai contra os interesses da família.

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