Empresa alemã lucrou cinco milhões de euros em 2019 com preservativo vegan

Após uma procura no mercado dos preservativos, estes encontraram a lacuna ecológica, notando que as opções atuais contém proteína animal caseína, e que a matéria-prima látex é extraída de árvores seringueiras cultivas da Ásia.

Uma empresa criada por dois alemães, Philip Siefer e Waldemar Zeiler, em 2015, apostou em produtos ecológicos e vegans, criando um preservativo ecológico e vegan que não utiliza produtos animais, conta a “BBC” esta quinta-feira, 13 de fevereiro. A dupla de Berlim queria participar na fatia de mercado deste negócio, e quando as perguntas relativas à utilização animal no processo surgiram, os dois amigos decidiram explorar a vertente, alcançando um negócio que lhes rendeu cinco milhões de euros só no último ano, vendendo 4,5 milhões de unidades para o mercado alemão.

A empresa criada pelos amigos chama-se Einhorn, que significa unicórnio em alemão, sendo essa também a imagem das embalagens. À “BBC”, a dupla explicou que o nome e imagem de marca remete ainda para o termo utilizado para descrever as startups avaliadas em mil milhões de dólares (Portugal tem três), ainda que não tenham chegado a esse valor de mercado.

A publicação britânica aponta que a construção da sustentabilidade dos negócios de Siefer e Zeiler foi bem-sucedida, uma vez que apostaram num mercado que está em constante crescimento e conseguiram atrair muitos consumidores. Ainda assim, a dupla conseguiu entrar na comunidade empresarial, depois de uma ronda de financiamento em que conseguiram captar 100 mil euros.

Depois de trabalharem no universo das startups, Siefer e Zeiler quiseram fugir do capitalismo sonhado por muitos que eram seus colegas e amigos que “estavam a ganhar milhões mas não eram felizes”. Só quando lançaram o financiamento é perceberam que o factor vegan tinha de fazer parte do produto, uma vez que se tratava de uma falha no mercado. “Queríamos criar um produto que fosse fácil de vender e despachar online, sem que tivéssemos de lidar com devoluções, que são uma das maiores fontes de custos dos negócios online”, referiu Siefer à BBC.

Após uma procura no mercado dos preservativos, estes encontraram a lacuna ecológica, notando que as opções atuais contém proteína animal caseína, e que a matéria-prima látex é extraída de árvores seringueiras cultivas da Ásia. A empresa alemã conseguiu trocar a caseína, que se trata de leite de mamíferos, por um lubrificante à base de plantas e trocou o látex industrial por um extraído de forma ecológica, por pequenos produtores tailandeses que recebem salários acima da média.

A dupla alemã assinou ainda um manifesto na fundação da Einhorn, que obriga a empresa a investir 50% dos seus lucros em projetos sustentáveis. Assim, no ano passado a empresa teve de investir 2,5 milhões de euros, uma vez que obteve receitas de cinco milhões.

Dos primeiros mas não a única

Apesar de terem sido dos primeiros a encontrar as lacunas no mercado, não foram os primeiros a lançar o produto ecológico e vegan. Outra marca, a Glyne, lançou os primeiros preservativos vegan para o mercado em 2013.

A empresa norte-americana foi a primeira marca a ser reconhecida pela V-Label, que identifica e rotula os produtos como vegetarianos ou vegans, sendo reconhecida por todo o mundo. Também a empresa norte-americana Sustain Natural, criada por pai e filha, vendem preservativos ecológicos e vegans desde 2017.

O negócio dos preservativos vale atualmente oito mil milhões de dólares (7,4 mil milhões de euros) no mundo inteiro, com as projeções mundiais a apontar para um valor de mercado de 15,1 mil milhões de dólares (13,89 mil milhões de euros) até 2026.

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