Empresas apontam inovação e formação como solução para o sector financeiro

Os gestores de seis empresas explicaram como e porquê a inovação e formação e os recursos humanos podem contribuir para o sucesso dos negócios, durante a mesa-redonda digital organizada pelo Jornal Económico com o tema “Do salto tecnológico à retoma da economia, os desafios do sector financeiro no pós-pandemia”.

A LOQR, a Fingeste, o Oney Bank Portugal, o Credibom, o BNP Paribas Factor Portugal e a ActivTrades olham para a inovação e formação, bem como para os recursos humanos, como três aspetos importantes para o garante de um sector financeiro cada vez mais tecnológico. Os gestores destas seis empresas explicaram como e porquê durante a mesa-redonda digital organizada esta quarta-feira pelo Jornal Económico com o tema “Do salto tecnológico à retoma da economia, os desafios do sector financeiro no pós-pandemia”.

Ricardo Costa, presidente executivo da portuense LOQR, revelou que a empresa tem um “grande departamento de R&D [sigla britânica para definir investigação e desenvolvimento]”, que faz com que a plataforma que é vendida, sobretudo, aos bancos “esteja em constante evolução”. E para isso, o gestor assegurou que os recursos humanos são “extremamente importantes” para ajudar a “cumprir expectativas”.

Nesse sentido, o gestor contou que a empresa tem “estado a contratar” e que vai “continuar a contratar este ano, devido ao crescimento da plataforma e do aumento de clientes”. Mas consegue a LOQR manter o talento captado? Ricardo Costa garantiu que sim, talvez por estar “mais na linha das startups de inovação do que a banca tradicional”.

“Até hoje, temos conseguido captar talento e fazer as contratações que precisamos. Também temos uma taxa de retenção de talento bastante alta. Até hoje tivemos muito poucas pessoas a sair. Não temos sentido dificuldade a contratar e a reter talento””, disse.

O managing partner da Fingeste, Carlos Carvalho, afirmou que também a consultora está a recrutar, considerando “absolutamente essencial dar formação às pessoas”. Isto porque a formação é importante para responder à procura das empresas-cliente.

“O nosso grande desafio é manter este nível de formação”, disse, referindo que a formação oferecida é cada vez menos técnica e mais tecnológica e de processos.

Mas há um pormenor que preocupa Carlos Carvalho: “Nós assistimos alguns clientes internacionais na área de tecnologias de informação (TI) em aquisições, em Portugal, e muitas vezes perguntamos ‘porquê Portugal?’ O que nos dizem é que os recursos que existem, sobretudo em TI, são extremamente competentes”. Ora, isso gera “uma procura elevada de operadores internacionais, mas as empresas nacionais têm dificuldade em contratar pessoal de TI porque são escassos para a procura que existe”.

Já Dario Coffetti, diretor-geral do Oney Bank Portugal afirmou que o estímulo à inovação e formação é interno. Nesse sentido, Coffeti considerou que é o ambiente de trabalho que mais contribuiu para o trabalhador ser um agente de inovação, respondendo aos desafios colocados pelo Oney Bank.

Pedro Mata, deputy CEO do Credibom, por sua vez, lembrou que a banca tradicional tem “a sua operação suportada num frame de legacy”, embora “os processos do negócio sejam cada vez mais suportados em ecossistemas com a componente tecnológica”.

Assim, “inovação já não é um processo meramente interno” no Credibom. “A inovação vem de fora e exige uma constante adaptação”, tendo em conta o conhecimento e a base tecnológica diferentes que as novas tecnologias trazem para a operação bancária. “Por exemplo vídeo é fundamental para negócios à distância”, ilustrou.

Nesse sentido, Pedro Mata afirmou que hoje os bancos já precisam de data centers próprios para alojar a informação e não só os recursos humanos precisam de conhecimento técnico, como o próprio negócio está mais tecnológico.

Contudo, alertou para a “dificuldade” de contratar trabalhadores especializados em Lisboa, dada a sua escassez face à procura de grandes tecnológicas estrangeiras. Por isso, revelou que o Credibom, em Portugal, tem contratado no mercado brasileiro.

Quantidade no mercado brasileiro é muito maior. Dificuldade em Lisboa. Recursos escassos e caros.

No caso da ActivTrades, o analista Ricardo Evangelista referiu que as questões de R&D da corretora online é gerida a partir de Sófia, na Bulgária, onde o grupo tem uma sucursal.

No caso do BNP Paribas Factor Portugal, o CEO do organismo, Luís Augusto, disse que a empresa “continua a contratar de forma muito agressiva em várias áreas”. Mas a formação é feita à medida das funções, “com o benefício de integrar um grupo internacional onde os trabalhadores podem beneficiar de um campus próprio”.

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