As empresas de Leiria denunciaram, esta terça-feira, atrasos no pagamento dos apoios pelos danos sofridos com a tempestade Kristin.
“Mais de um mês após a passagem da tempestade Kristin, muitas empresas da região de Leiria continuam sem respostas efetivas que lhes permitam recuperar dos danos sofridos e retomar plenamente a sua atividade”, segundo um comunicado hoje divulgado por várias associações empresariais que pedem “resposta urgente” a três problemas prioritários.
“O momento exige rapidez na execução das medidas, pragmatismo na sua aplicação e capacidade de adaptação à realidade das empresas. Os instrumentos criados apenas serão eficazes se conseguirem responder às necessidades concretas de quem está no terreno a reconstruir instalações, recuperar equipamentos e retomar a atividade económica”, segundo o comunicado.
Em primeiro lugar, as “linhas de crédito criadas para apoiar as empresas afetadas estão a chegar a um número muito limitado de empresas. Em muitos casos, os processos continuam a ser tratados pelas instituições bancárias como operações de crédito convencionais, com exigências adicionais de garantias, incluindo hipotecas. Esta abordagem contraria o objetivo das medidas de apoio excecional e cria obstáculos adicionais às empresas num momento em que necessitam de respostas rápidas e eficazes. Acresce que, de acordo com os dados disponíveis, são ainda poucas as empresas que efetivamente receberam os montantes solicitados”.
Em segundo, “persistem atrasos na atuação das seguradoras, nomeadamente na realização de peritagens presenciais e na disponibilização de adiantamentos relativos aos sinistros participados. Estes adiantamentos são fundamentais para permitir às empresas iniciar rapidamente os trabalhos de reparação e recuperação das suas instalações e equipamentos”.
Em terceiro, o aviso do n.º 06/C05-i14.01/2026, no âmbito do IFIC – Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade – “apresenta limitações que poderão impedir o acesso de muitas empresas afetadas aos apoios previstos.
As associações defendem por isso alterações “concretas” como:
• “o alargamento dos códigos CAE elegíveis;
• a possibilidade de aceitação de auto-declaração de danos validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas;
• o aumento do limite das obras de reconstrução para 50% do investimento elegível;
• e a eliminação dos critérios relativos ao contributo para o crescimento das exportações e para a criação líquida de postos de trabalho”.
Os subscritores da carta aberta são:
• NERLEI CCI – Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria
• ACILIS -Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria
• ANEME – Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Electromecânicas
• AEPOMBAL – Associação Empresarial do Concelho de Pombal
• APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria
• APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos
• ARICOP – Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém
• CEFAMOL – Associação Nacional da Indústria de Moldes
• CENTIMFE – Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos
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