A maioria das empresas em Portugal não se encontram preparadas para cumprir com os requisitos da diretiva europeia de transparência salarial, que tem de ser transposta para a legislação nacional até junho de 2026, segundo dados do estudo da Aon.
O estudo ‘Pay Transparency Study 2025’ revela que cerca de 86% das empresas portuguesas não se encontra pronta para cumprir com a diretiva, um resultado que não está muito diferente da média europeia, que se encontra nos 87%, nem da média global, que é de 81%.
Apenas 14% das empresas estão preparadas para esta abordagem, enquanto 58% ainda se encontram em fase de preparação.
Esta diretiva visa combater as desigualdades salariais, sendo apenas aplicada a países da União Europeia, contudo as multinacionais com colaboradores na Europa têm de cumprir com as mesmas regras para esses trabalhadores.
Joana Brito, HR solutions senior consultant na Aon Portugal, afirma que “a Diretiva Europeia de Transparência Salarial que visa reforçar a igualdade de remuneração representa uma mudança estrutural profunda no mercado de trabalho. Em Portugal, a grande maioria das empresas ainda não tem processos, análises ou estratégias de comunicação consolidadas, verificando-se que muitas organizações estão a ter uma abordagem reativa, em vez de incorporar proativamente a transparência na sua estratégia de recursos humano”.
“De salientar também que ainda é possível corrigir práticas antes da obrigatoriedade de reportar disparidades, pois as organizações que não agirem já correm riscos legais, reputacionais e de atração de talento”, refere.
Numa avaliação da equidade salarial, verifica-se que apenas 18% das organizações em Portugal realizaram uma avaliação independente no último ano, um valor que fica abaixo da média europeia e global.
O estudo identificou ainda desigualdades que exigem intervenção, “nomeadamente através de revisões de final de ano ou controlos adicionais nos processos de recrutamento, com Portugal a registar 70%, a Europa 75% e a nível global 77%”, refere o estudo.
Apenas 22% das organizações já desenvolveram uma estratégia especifica para a transparência salarial.
“É importante que as organizações identifiquem os fatores que contribuem para as desigualdades salariais de forma a desenvolver e implementar estratégias abrangentes. Isto porque, os requisitos da diretiva europeia expressam que as organizações precisam de um quadro e de uma governação robustos”, salienta Joana Brito.
“Existe uma oportunidade clara de alinhar a transparência salarial com a atração e a retenção de talento e com os valores da própria organização. Uma comunicação eficaz é essencial para gerar confiança e garantir que os colaboradores compreendem de que forma são tomadas as decisões salariais”, conclui.
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