Empresas portuguesas rejeitam pagamentos com criptomoedas

No prazo de dois anos, 78% das empresas portuguesas garantiram que não pretendem adotar este método de pagamento e 20% não sabem se o farão, segundo indica o European Payment Report 2018.

Cristina Bernardo

Apenas 2% das empresas europeias aceitam criptomoedas como a bitcoin ou a ethereum como método de pagamento pelos clientes. No caso de Portugal, a percentagem cai mesmo para 0%, enquanto, no Reino Unido, 15% das firmas já aceita o método de pagamento inovador, segundo revela o European Payment Report 2018.

No prazo de dois anos, 78% das empresas portuguesas garantiram que não pretendem adotar este método de pagamento e 20% não sabem se o farão. A nível europeu, 87% das empresas dizem explicitamente que não adotarão criptomoedas no mesmo período.

No inquérito da Intrum, que analisou o comportamento de pagamentos das empresas e do Estado com base em respostas de 9.607 empresas de 29 países, as 2% das empresas europeias inquiridas declararam ainda que detêm criptomoedas para outros fins que não transações de pagamento, ou seja, como investimento, por exemplo.

“As criptomoedas, como a bitcoin ou a ethereum, têm sido um tema muito debatido nos últimos dois anos, tanto como forma de pagamento, como nos potenciais veículos de investimento, ou mesmo num contexto social mais amplo, onde as criptomoedas e a tecnologia subjacente, são vistas com tendo grande potencial disruptivo”, referiu Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, em comunicado.

“Ainda assim, este método de pagamento é bastante desconhecido para a maior parte das pessoas e empresas, acabando por gerar alguma desconfiança e receio devido às notícias de ciberataques de hackers que têm ocorrido a nível mundial, por exemplo”, acrescentou.

As criptomoedas são moedas digitais descentralizadas que servem como meio de troca de valor (monetário ou não) através da tecnologia blockchain, cuja criptografia assegura a validade das transações e a criação de novas unidades da moeda. Apesar de ser um fenómeno global atual, a adoção de criptomoedas como opção de pagamento na Europa ainda é prematura, segundo indica o estudo da Intrum.

Ler mais

Relacionadas

PremiumCriptomoeda IVA pode ser a “evolução natural” do e-fatura português

A AT apontou para as potencialidades da tecnologia blockchain para o pagamento de impostos. Em entrevista ao Jornal Económico, o advogado especializado nesta tecnologia e membro do departamento legal e jurídico da APBC, Rui Simões, explicou que esta poderá ser uma opção em Portugal.

Presidente da APBC: Portugal precisa de “regulação favorável ao crescimento da cripto-economia”

Frederico Antunes, da Associação Portuguesa de Blockchain e Criptomoedas, considera que o problema de fundo em Portugal é como enquadrar as criptomoedas já existentes no sistema financeiro e fiscal tradicional.

Mercado das criptomoedas perde 550 mil milhões de euros desde janeiro

O índice “Bloomberg Galaxy Crypto”, que engloba as principais moedas virtuais, recuou 4,1% (para 392,68 pontos) por volta das 8:30 (hora de Lisboa) desta segunda-feira.
Recomendadas

Governo prepara novas linhas de financiamento às exportações

O secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, que está em Milão na maior feira de calçado do mundo, vai colocar verbas do Portugal 2020 à disposição das empresas para a promoção da presença digital nos mercados internacionais.

Liberty cria ecossistema na ‘cloud’ pública

Construir um seguro à medida de cada um e uma oferta personalizável é o objetivo da Liberty Seguros com um novo ecossistema, afirma Alexandre Ramos, da área tecnológica da companhia.

Juíza trava proibição da WeChat nos Estados Unidos

Depois da chinesa Tik Tok, agora é a vez da aplicação de mensagens ver o bloqueio ser impedido, neste caso, pela justiça norte-americana.
Comentários