Empresas precisam de investir 65 biliões de euros para atingir metas do Acordo de Paris

Empresas a nível mundial terão de investir 64,88 biliões de euros para atingir as metas do Acordo de Paris, de acordo com um estudo da Boston Consulting Group divulgado esta terça-feira. Em Portugal, apesar de ser uma prioridade, ainda são poucas empresas que fazem esse investimento.

Será necessário um investimento de 75 biliões de dólares (cerca de 64,88 biliões de euros) para as empresas e os negócios alcançarem os objetivos previstos no Acordo de Paris — um acordo assinado em 2015 por 191 nações mundiais com o objetivo de limitar a subida da temperatura média global a 1,5 graus Celsius até 2050.

De acordo com um relatório elaborado pela consultora Boston Consulting Group (BCG) em colaboração com as organizações ambientais ANP|WWF, intitulado “Para além das metas baseadas na ciência: um plano de ação corporativa para o clima e a natureza”, e divulgado esta terça-feira, para concretizar os objetivos previstos, o estudo propõe um Plano Corporativo de Mitigação Climática às empresas de todo o mundo, recomendando o desenho de uma estratégia “que maximize o seu impacto climático e responda ao problema do desfasamento entre o conjunto de soluções atualmente disponíveis e a escala dos problemas que este procura resolver”.

Segundo o relatório da Boston Consulting Group, o plano deverá passar sobretudo, pela contabilização e divulgação das emissões de gases poluentes, a fim de quantificar a pegada de carbono das empresas. Segue-se o desenho de medidas que prevejam a reduzir as emissões da cadeia de valor, em linha com um ambicioso plano com base científica, sendo necessário quantificar o compromisso financeiro fixando preços pelas restantes emissões. Por último, dá-se lugar à alocação de investimento para criar impacto positivo no clima e natureza.

Numa altura em que, só na União Europeia os Estados-membros comprometeram-se em reduzir as emissões em, pelo menos, 55 % até 2030, o relatório realça que “Portugal tem progredido no caminho para a neutralidade carbónica”, dando como exemplo como em 2019, “foram emitidas menos 30% de toneladas de equivalentes de CO2 (CO2e) per capita do que a média da União Europeia”.

Neste momento, Portugal conta no top 10 dos países com maior utilização de energias renováveis a nível mundial. “No entanto, continuam a ser necessários investimentos relevantes, em especial no setor da energia, que representa cerca de 23% das emissões totais de gases de efeito de estufa (GEE) no país, e nas indústrias cimenteira e química”, lê-se.

Apesar de o relatório apontar a descarbonização como o caminho a seguir, são identificados desafios em termos de ineficiência de resposta e custos, quer por não existir “escala suficiente, quer por ser necessário o desenvolvimento de tecnologias adjacentes”.

“Salienta-se ainda a dificuldade em contabilizar e reduzir o impacto de algumas cadeias de valor como uma barreira à descarbonização das empresas. Se, por um lado, as empresas portuguesas trabalham diretamente na descarbonização da sua atividade, por outro, ainda são raros os casos em que estas investem financeiramente para compensar as emissões que não lhes é ainda possível reduzir”, frisam.

“Apesar de observarmos cada vez mais empresas a anunciarem planos de descarbonização, a maioria ainda não conseguiu concretizar uma estratégia que responda ao desafio climático e ao mesmo tempo permita capturar benefícios relevantes, quer na redução de custos, no crescimento de novos negócios ou na aplicação de preços premium. Em Portugal, esta dificuldade é ainda maior pela grande representatividade das pequenas e médias empresas no tecido empresarial, que têm menores recursos para estas iniciativas. Assim, é urgente que as empresas possam implementar mecanismos para contabilizar a sua pegada carbónica, entendendo melhor “onde”, “como” e “quando” a minimizar e que, ao mesmo tempo, repensem o seu modelo de negócio para um novo contexto socioeconómico dominado pela temática da sustentabilidade”, explica Carlos Elavai, managing director e sócio da BCG.

Recomendadas

Plano de descarbonização do Reino Unido vai atrair 90 mil milhões em investimento e criar 440 mil empregos

Apesar da boa nova, para os especialistas e ativistas as propostas continuam longe de ser suficientes para fazer frente às necessidades climáticas urgentes e a por um fim nos combustíveis fósseis.

Raros glaciares africanos deverão desaparecer nas próximas duas décadas, alerta ONU

O relatório sobre o estado do clima em África, publicado menos de duas semanas antes da abertura da Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP 26), agendada para o final do mês em Glasgow, destaca a vulnerabilidade desproporcionada de África e assinala que as alterações climáticas contribuíram para o aumento da insegurança alimentar, pobreza e deslocação no continente durante o ano passado.

Rainha de Inglaterra irritada com muitas opiniões e pouca ação contra alterações climáticas

A Rainha de Inglaterra é a última figura da monarquia britânica a abordar o tema, sendo que os príncipes Carlos e William já tinham falado sobre as problemáticas ambientais.
Comentários