A inteligência artificial (IA) tem dado frutos em muitos setores, um deles é o energético, que tem vindo a registar ganhos claros de eficiência. De acordo com um estudo da KPMG, 60% das empresas afirmam obter um retorno sobre o investimento superior a 10% com projetos já em produção baseados nesta tecnologia.
Segundo o estudo 92% das empresas acreditam que a adoção de IA vai ser determinante para garantir uma vantagem competitiva no setor. Já 96% afirmam estar já a investir em projetos de futuro baseados em IA.
“As empresas que conseguirem integrar a Inteligência Artificial de forma estratégica e transversal estarão mais bem posicionadas para liderar o setor energético nos próximos anos”, revela o estudo.
Apesar de ser vista como uma ferramenta positiva, os empresários destacam desafios significativos na adoção desta tecnologia no setor energético. As preocupações com a segurança e a privacidade, a falta de competências especializadas e a resistência interna à mudança, são fatores que continuam a limitar a transição de projetos piloto para projetos em larga escala.
A qualidade dos dados é um dos principais obstáculos à maturidade digital do setor. Cerca de 58% das empresas enfrentam problemas de inconsistência, fragmentação e ausência de normalização dos dados, o que compromete diretamente o desempenho dos modelos de IA e a capacidade de automatizar processos complexos ao longo da operação.
As empresas também salientam a lenta adoção da IA pelas equipas como um desafio, visto que há escassez de talento com competências tecnológicas e um conhecimento aprofundado do setor energético.
O estudo revela que a IA tem um impacto significativo na operação de ativos críticos, como redes, centrais e infraestruturas de distribuição. Com modelos preditivos e da análise avançada de dados as empresas conseguem antecipar falhas, otimizar planos de manutenção e reduzir paragens não planeadas. Assim as empresas conseguem reduzir custos operacionais, aumentar a disponibilidade de ativos, prolongar a sua vida útil e minimizar investimentos não planeados.
A IA está a revolucionar não só a eficiência interna das empresas, como também está a transformar a relação das empresas com os clientes. Esta ferramenta possibilita uma compreensão mais apurada dos padrões de consumo, e abre caminho para a definição de serviços mais personalizados e uma experiência melhorada.
Segundo o estudo, o próximo grande salto tecnológico neste setor passa pelo agentic IA, uma nova geração de sistemas capazes de agir de forma autónoma, que monitorizam operações, tomam decisões em tempo real e executam ações sem necessidade da intervenção humana constante.
Neste setor, esta tecnologia vai permitir a existência de redes mais autónomas e resilientes, uma gestão mais eficiente de energias renováveis intermitentes, respostas mais rápidas à volatilidade da procura e dos preços e, por último, uma maior eficiência na gestão de ativos distribuídos.
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