Energias renováveis com impacto positivo de 2,4 mil milhões para os consumidores em nove anos

Entre custos para o consumidor e poupanças obtidas, as renováveis tiveram um impacto positivo, segundo um estudo realizado pela Deloitte.

Os benefícios das energias renováveis compensam os seus sobrecustos para os consumidores de eletricidade? A discussão já tem vários anos e tem dominado a agenda política na área da energia na última década.

Entre 2010 e 2018, as energias renováveis tiveram um impacto positivo de 2,4 mil milhões de euros para os consumidores de eletricidade em Portugal. A conclusão é de um estudo realizado pela consultora Deloitte em colaboração com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), apresentado esta terça-feira, 17 de setembro, em Lisboa.

O estudo fez um balanço entre os custos das renováveis na fatura dos consumidores – pagos através dos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG) -, e o seu impacto positivo para o sistema elétrico.

Desta forma, os custos com a produção de energia renovável pagos pelos consumidores atingiram os 7.570 milhões de euros no espaço de nove anos. Já a poupança obtida devido às energias renováveis atingiu os 10.000 milhões de euros. Fazendo o balanço, o impacto positivo das renováveis atingiu os 2.400 milhões de euros entre 2010 e 2018, segundo o estudo.

O impacto positivo das energias renováveis no preço da eletricidade significa que o preço médio de venda foi 24,2 euros por megawatt hora inferior face ao preço que teria sido praticado sem impacto das renováveis, de acordo com o documento.

“Temos uma balança líquida de importação de energia de tudo aquilo que não é produzido localmente. Continuamos a comprar carvão, petróleo bruto para os transportes, algum refinamos cá, outro compramos já em combustível líquido. Mais gás natural para uma quantidade de usos energéticos”, apontou o secretário-geral da APREN, referindo-se à situação atual, em que o país está dependente energicamente do exterior.

“Agora, se podemos transformar essas importações, que são saídas de capital de Portugal, para fazer investimentos em Formação de Capital Bruto e com isso fazer o crescimento direto do PIB com crescimento do emprego, do desenvolvimento económico e social e com a melhoria das condições de vida”, afirmou Pedro Amaral Jorge, destacando as vantagens do desenvolvimento de energias renováveis em Portugal.

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