Enfermeiros marcam greve de dois dias e acusam ministra da Saúde de “persistente autismo”

Integração imediata nos mapas de pessoal das instituições ou a concretização da regularização e da abertura de concursos para todas as categorias, são algumas das medidas para as quais os enfermeiros pretendem alertar com esta ação nos dias 3 e 4 de novembro.

Cristina Bernardo

Os enfermeiros agendaram uma greve para os próximos dias 3 e 4 de novembro. A informação foi dada esta sexta-feira, 15 de outubro, através de um comunicado do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR), tendo sido convocada por seis sindicatos e que abrange todo o Serviço Nacional de Saúde (SNS) português.

“O persistente autismo da ministra da Saúde, Marta Temido, não nos deixa alternativa. Cientes das consequências de uma greve para os nossos pacientes, restringimo-la a dois dias; não se trata, portanto, de uma semana, como chegou a ser propalado”, refere Carlos Ramalho, presidente do SINDEPOR.

Com esta greve os enfermeiros pretendem chamar a chamar para algumas diretrizes que desejam ver cumpridas. Desde logo a integração imediata nos mapas de pessoal das instituições de todos os enfermeiros com contratos precários no SNS e o cumprimento de dotações seguras através da admissão imediata de enfermeiros, respeitando a norma de cálculo de dotações seguras dos cuidados de enfermagem, bem como a consagração efetiva da autonomia das instituições para contratarem e a concretização da regularização e da abertura de concursos para todas as categorias, nomeadamente, enfermeiro, enfermeiro especialista, enfermeiro gestor e para as funções de direção.

O presidente da SINDEPOR deixa também o aviso de que “sem enfermeiros motivados não temos um SNS saudável. É por isso que é importante o Governo responder às nossas reivindicações, para termos um SNS robusto e eficaz, como os portugueses merecem e precisam”.

De fora desta greve ficam as regiões autónomas dos Açores e da Madeira “tendo em conta as conquistas para os enfermeiros que aí se tem registado”, indica o comunicado.

O organismo considera que o Ministério da Saúde tem vindo a manter uma “atitude de desrespeito pelos sindicatos e pela maior classe profissional do sector da Saúde”, desde o passado dia 21 de setembro, quando o organismo recebeu um documento reivindicativo por parte dos sindicatos, sendo que a única resposta surgiu pela parte do secretário de Estado Lacerda Sales, no passado dia 12 de outubro, considerando que as negociações devem ser feitas à margem do Orçamento do Estado (OE).

“Uma flagrante contradição com as declarações proferidas ontem por Marta Temido, quando a ministra afirmou ter a expetativa de que as negociações do OE possam contribuir para resolver os problemas que levaram à marcação de várias greves no sector da Saúde”, lê-se no comunicado.

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