Ennes Ferreira: Angola de Lourenço está a repetir os erros de Angola de Eduardo dos Santos

 Os economistas Manuel Ennes Ferreira e Alves da Rocha apresentam na quarta-feira um livro sobre Angola com a mensagem central de que o país está a repetir os erros cometidos entre 2012 e 2017.

“A mensagem central é que de tudo aquilo que é dito há sempre uma esperança de que as coisas possam ser alteradas relativamente ao que se foi passando, mas o que é desesperante concluir é que desde 2012 até à atualidade há uma repetição das mesmas questões fundamentais e que, particularmente na legislatura de 2012 a 2017, não houve praticamente quaisquer alterações, isso é terrível, estar a bater nas mesmas teclas, reconhecendo os problemas, identificando-as, e ser como estar a mandar à barro à parede sem se ligar nada”, disse Manuel Ennes Ferreira.

Falando à Lusa na véspera da apresentação, em Lisboa, do livro em coautoria com Alves da Rocha, com o título ‘Angola – Dois Olhares Cruzados’, Ennes Ferreira salienta que “é desesperante e frustrante ler as crónicas e ter uma sensação de ‘deja vu'” e aponta que os mesmos temas “aparecem em 2012, em 2015 e em 2018 e isso não é nada bom”.

O livro reúne as crónicas dos dois economistas, publicadas em Portugal pelo Semanário Económico e pelo Expresso, e em Angola pelo Expansão, e na apresentação afirma-se que “como a História só é compreendida pela análise do encadeamento dos factos no tempo, selecionámos textos que cobrem o período perdido do desenvolvimento económico e social da anterior legislatura (2012-2017) e que desembocam na atual legislatura”.

Segundo o economista luso-angolano, “para compreender o que se hoje se passa, porque os problemas permanecem, era bom verificar o que se passou ao longo dos últimos anos”, e foi assim que surgiu a ideia do livro que será apresentado na quarta-feira.

“Não é preciso ser economista para ler o livro, percebe-se que há um desejo imenso de tentar identificar pontos que necessariamente têm de ser alterados para o país ir a algum lado, e por isso ninguém nos pode atacar de ser um documento panfletário ou de bota-abaixo, é sustentado e as considerações que lá são feitas são chamadas de atenção, às vezes com alguma mágoa que transparece na própria leitura e o texto fica mais duro, mas a ideia foi sempre contribuir para que se pudesse alterar alguma coisa”, garante o coautor do livro.

Questionado sobre se, desde 2017 até hoje, houve uma mudança real em Angola, Ennes Ferreira respondeu que a alteração prende-se mais com a retórica e o enquadramento do que propriamente com mudanças concretas.

“Mais no plano da retórica, como antes se dizia, iam fazer isto e aquilo, mas as coisas continuam a ter um grau desesperante de repetição, e é a diversificação, e é isto e aquilo, mas depois as medidas de política económica e toda aquela articulação que deverá levar o país para um caminho que se espera seja de benefício para a população, a sensação é muito frustrante, parece a repetição numa nova legislatura com um novo quadro, e isso dói, como é evidente”, concluiu.

Ler mais
Recomendadas

Banco HSBC permitiu transferência fraudulenta de milhões

O banco britânico permitiu que fossem transferidos milhões de dólares para todo o mundo de forma fraudulenta, mesmo depois de ter tomado conhecimento do que se passava.

Justiça angolana manda encerrar todos os templos da IURD em Angola

A justiça angolana ordenou o encerramento e apreensão de todos os templos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, estando o processo de selagem a ser feito “de forma gradual”.

Novo ataque contra autocarros faz dois mortos no centro de Moçambique

Um ataque armado contra uma coluna de quatro autocarros de passageiros escoltados pela polícia no centro de Moçambique provocou dois mortos e oito feridos
Comentários