Ensino superior e Economia

A criação de competências nos indivíduos tem efeitos positivos na produtividade, na redução da taxa de desemprego, na criação de melhores oportunidades de trabalho e contribui de forma inequívoca para a redução da pobreza e da exclusão social.

A educação e o investimento em capital humano constituem um fator decisivo para o desenvolvimento económico e social das sociedades. A criação de competências nos indivíduos tem efeitos positivos na produtividade, na redução da taxa de desemprego, na criação de melhores oportunidades de trabalho e contribui de forma inequívoca para a redução da pobreza e da exclusão social. Esta realidade é bem documentada pela generalidade dos estudos científicos que se têm debruçado sobre o tema.

O mercado de trabalho é, hoje, cada vez mais, baseado em conhecimento e a informação estatística disponível, corrobora a subida progressiva dos níveis de educação. Dados da OCDE constatam um aumento evidente das competências dos indivíduos, reportando que, nestes países, em 2008, 35 % da população adulta era detentora de uma licenciatura, tendo este valor passado para 44% em 2018. E mais, o mesmo organismo estima que, em 2019, o nível de emprego dos licenciados era cerca de 9% superior ao nível de emprego dos indivíduos que apenas tinham concluído o ensino secundário e que os adultos com licenciatura ganham, em média, mais 57% que os indivíduos que com menor formação académica.

Esta situação é, contudo, assimétrica entre os diversos continentes. Embora constitua uma evidência nos países mais desenvolvidos, nos países em desenvolvimento, como é o caso, de muitas das nações africanas, os dados são menos encorajadores. Ainda assim, tem-se vindo a observar, nestes países, uma progressiva tomada de consciência em relação aos benefícios da educação, como fator de progresso económico e social.

Olhemos por exemplo para os países de expressão oficial portuguesa, que têm feito um esforço significativo de progresso nesta área, a avaliar por dois indicadores importantes como sejam, por um lado, a proliferação de acordos de cooperação ao nível do ensino superior com universidades portuguesas, permitindo estabelecer sinergias muito positivas entre os docentes portugueses e os docentes nacionais, através da lecionação e da investigação e, por outro lado, o aumento de alunos inscritos no ensino superior, tendência que se tem vindo a verificar paulatinamente, ao longo dos últimos anos.

Para além destas evidências, também a classe política mais clarividente tem mostrado consciência desta realidade, sendo neste contexto interessante recordarmo-nos do slogan usado pelo governo liderado por António Guterres, “A paixão da educação”, quando este elegeu como prioridade para o desenvolvimento económico a educação dos portugueses, através do estabelecimento de metas ambiciosas para os indicadores com ela relacionados e ainda nas várias intervenções que realizou sobre o tema, enquanto Secretário Geral das Nações Unidas. Finalmente, recordemo-nos da sábia frase de Nelson Mandela quando enuncia “A educação é a arma mais poderosa que alguém pode usar para transformar o mundo”.

É este, sem dúvida, um caminho que se deve continuar a trilhar, aproveitando os novos fundos europeus para reforçar os investimentos no setor da educação, em particular, o investimento em todas as dimensões do ensino superior.

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