Entregues à bicharada

Alguns visitantes acharam divertido ver um papagaio mandá-los fazer coisas que são altamente inconfessáveis, mas a administração do parque receia o impacto de tal comportamento.

Os elefantes do Zoológico de Varsóvia andam enervados depois da morte de Erna, o elefante mais velho da manada, em março (não foi de Covid). Como os elefantes são matriarcais, as outras ficaram stressadas, o que fez o pessoal do Zoo tentar acalmá-los com CBD, o canabidiol. É extraído da canábis, mas tem a vantagem de não deixar pedrado quem o usa. Aliás, no tocante ao consumo humano, a OMS recomendou que fosse retirado da lista de proibições. Quanto aos elefantes, espero que seja só calmante, não quero imaginar um elefante pedrado.

Só não percebo porque não seguem a receita do Zoológico de Islamabad, a quem o tribunal ordenou que soltasse ou transferisse os seus animais. O elefante Kaavan, que se encontra nervoso e infeliz, está destinado a um santuário no Cambodja, e para o preparar para a viagem foi chamado o veterinário Amir Khalil. Khalil tem acalmado o animal com música de Frank Sinatra, tendo-se revelado particularmente eficaz o “My Way” – afinal é mesmo verdade que a música amansa as feras.

Outro caso único é o de cinco papagaios cinzentos do Lincolnshire Wildlife Centre (LWC) – Billy, Eric, Tyson, Jane e Elsie – que vão ser separados e colocados em lugares distantes do parque não para distanciamento social devido à Covid, mas porque praguejam forte e feio e competem entre si nesta peculiar atividade. Isto quando o outro papagaio famoso do LWC, o papagaio Chico, canta parte do repertório de Beyoncé, incluindo o “If I Were a Boy”. Já tem acontecido que papagaios praguejem, mas cinco ao mesmo tempo é demasiado, além de poderem passar o hábito aos outros 200 papagaios.

Não que tenha havido queixas; pelo contrário, alguns visitantes acharam divertido ver um papagaio mandá-los fazer coisas que são altamente inconfessáveis, mas a administração do parque receia o impacto que possa haver nos visitantes de mais tenra idade. Assim, é o exílio do bando dos cinco para lugares mais recônditos, e separados, por injusto que possa parecer aos amantes dos bichos.

Mas esta coisa das trocas de galhardetes dá-se também entre os animais de duas pernas. O apresentador de televisão John Oliver referiu-se à cidade de Danbury em termos não elogiosos, o que lhe valeu o presidente da Câmara ter anunciado que vai ser dado o nome do apresentador à ETAR lá da terra porque, explicou, à semelhança do homem da TV também está “full of crap” (hesito na tradução). Só que depois o presidente retirou a oferta, o que levou Oliver a oferecer 55 mil dólares a instituições de caridade, mas só se o político mantivesse a palavra. Este já disse, entretanto, que o faria mas na condição de Oliver cortar a fita.

Pois, espero que isto passe depressa porque, se a moda de dar nomes de figuras públicas e políticos a ETARes pega, não há ETARes que cheguem.

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