Enviado de Trump vai falar com França e Espanha para defender gasoduto importante para Sines

No total, 25% do gás natural que entra no terminal da REN em Sines tem origem nos Estados Unidos. O governante sublinhou que Sines é um projeto interessante para as companhias norte-americanas que produzem gás de xisto.

Ministro das Infraestruturas e Habitação (Pedro Nuno Santos) na visita do Secretário da Energia dos EUA a central de Sines | Cristina Bernardo| Cristina Bernardo

O enviado de Donald Trump a Portugal e à Europa vai falar com os líderes de França e Espanha para defender a construção de um gasoduto importante entre os dois países. Este gasoduto pode potenciar o porto de Sines como uma das portas de entrada de gás natural na Europa, incluindo o gás de xisto norte-americano.

“Na conferência de Munique vou ter conversações sobre projetos de infraestruturas como os gasodutos Mid Cat e STEP. Vou falar com os meus colegas franceses e espanhóis para ver se conseguimos [desbloquear a situação] para que alguma destas infraestruturas seja desenvolvida”, disse o Secretário de Estado da Energia norte-americano, Dan Brouillette, esta quinta-feira num encontro com jornalistas em Lisboa.

No entanto, este gasoduto levou um chumbo dos reguladores do setor de França e Espanha devido ao seu elevado preço e a Comissão Europeia deixou de o considerar o projeto estratégico para o setor energético, deixando de ser elegível para receber financiamento europeu.

No total, 25% do gás natural que entra no terminal da Redes Energéticas Nacionais (REN) em Sines tem origem nos Estados Unidos. O governante sublinhou que Sines é um projeto interessante para as companhias norte-americanas que produzem gás de xisto.

“2020 vai ser o primeiro ano em muitas décadas em que os Estados Unidos são um exportador líquido de energia. Já somos o maior produtor mundial de petróleo e gás natural. Vamos continuar a produção”, destacou.

Dan Brouillette destacou a importância da segurança do abastecimento energético. “Nos Estados Unidos temos uma filosofia: a segurança energética é segurança nacional. Queremos encorajar outros países a serem independentemente energéticos, o que aumenta a sua segurança tanto economicamente e de um ponto de vista nacional”.

Na sua conferência de imprensa, o governante defendeu a entrada de mais capital norte-americano no grupo EDP, cujo maior acionista é a China Three Gorges, estatal chinesa. Ao mesmo tempo, Dan Brouillette apontou que o investimento chinês no grupo EDP pode vir a ser um “problemas” para a EDP Renováveis nos Estados Unidos.

“Espero que empresas norte-americanas invistam na EDP. Queremos que se torne maior no mercado norte-americano”, declarou o Secretário da Energia dos Estados Unidos da América.

Questionado sobre se a presença da CTG no capital do grupo EDP pode vir a ser um problema para a empresa nos EUA, mesmo depois da Oferta Pública de Aquisição (OPA) da CTG ter falhado, o governante apontou que pode vir a representar um problema, à medida que a empresa cresce nos EUA.

“A preocupação é, à medida que a EDP cresce nos Estados Unidos, e esperamos que continue a crescer, a presença do investimento chinês na EDP pode representar problemas, à medida que o crescimento continua. E é isso que vamos avaliar muito diretamente”, afirmou Dan Brouillette.

Simultaneamente, o enviado de Donald Trump a Portugal também disse que compete aos “decisores políticos em Portugal” avaliar se o investimento chinês na Redes Energéticas Nacionais (REN) é uma “ameaça” para as infraestruturas energéticas nacionais.

Num encontro com jornalistas, o Secretário da Energia norte-americano foi questionado se considerava que o facto da REN ter um acionista maioritário chinês era um risco para a segurança das infraestruturas energéticas nacionais, e se, neste cenário, as empresas norte-americanas deviam investir na REN. Em resposta, Dan Brouillette defendeu um maior escrutínio sobre o investimento chinês na REN pelas autoridades portuguesas.

“Vou deixar isso para os decisores políticos em Portugal, se isso representa ou não uma ameaça para a infraestrutura em Portugal”, disse Dan Brouillette em Lisboa esta quinta-feira.

 

 

Governo de Trump gostava de ver mais capital dos EUA na EDP. Investimento chinês pode vir a ser um “problema” para EDPR nos EUA

Ler mais
Relacionadas

Governo de Trump gostava de ver mais capital dos EUA na EDP. Investimento chinês pode vir a ser um “problema” para EDPR nos EUA

Um dos principais membros do Governo de Donald Trump defende que mais empresas norte-americanas devem investir na EDP. O maior acionista da companhia atualmente é uma empresa estatal chinesa. Apesar de a OPA da CTG ter falhado, Dan Brouillette disse que a presença chinesa na EDP vai ser avaliada “muito diretamente”.

O dia em que os interesses de Pequim, Washington e Moscovo se cruzaram em Sines

Dan Brouillette foi o único dos três últimos enviados de Trump a Portugal que não criticou a Huawei ou o investimento chinês em áreas potencialmente sensíveis como as telecomunicações. Mas deixou avisos sobre os riscos do gás russo dominar a Europa, o que pode ser combatido via porto de Sines.
Recomendadas

Sindicato dos Maquinistas critica falta de explicações da IP

Apesar das fortes críticas à IP, o SMAQ garante que se vai abster de fazer mais declarações sobre este assunto, preferindo aguardar, “serenamente, e confiante na competência do GPIAFF, pelo relatório final”.
cais do sodré, pink street

PME dizem que novas medidas do Governo “são de bradar aos céus”

“As últimas medidas anunciadas pelo Governo para as Micro, Pequenas e Médias Empresas são de bradar aos céus”, afirma em comunicado a CPPME, acrescentando que “a permissão para os bares noturnos e as discotecas poderem abrir das 08:00 às 20:00, em serviço de pastelaria, só pode ser uma brincadeira de mau gosto”.

Rede da Câmara de Comércio e Indústria retoma prospeção de mercados em setembro

Estão previstas missões empresariais à Sérvia, Marrocos, Polónia, Azerbaijão e Costa do Marfim,
Comentários