Espanhóis da Oppidum investem mais de 70 milhões no aumento de capital da EDP

O segundo maior acionista da elétrica – com 7% do capital – foi a jogo no aumento de capital para manter a sua posição na elétrica.

Cristina Bernardo

O segundo maior acionista da EDP investiu mais de 70 milhões de euros no aumento de capital da elétrica.

A Oppidum Capital detém 7,19% da elétrica nacional e com este investimento consegue manter a sua posição intacta no capital da companhia portuguesa.

Este acionista investiu assim 73,8 milhões de euros, num total de 22,3 milhões de ações.

O aumento de capital da EDP, o equivalente a 8,45% do capital da empresa, termina às 15h00 do dia 6 de agosto. Cada ação foi lançada a 3,30 euros por ação, com um desconto de 23% face ao preço de encerramento de 15 de julho.

Na operação de aumento de capital no valor de mil milhões de euros com o objetivo de financiar a compra da energética espanhola Viesgo, os acionistas da EDP tinham de investir ou corriam o risco de ver a sua posição diluída.

A China Three Gorges vai ter de investir quase 219 milhões de euros no aumento de capital da EDP para manter inalterada a sua participação de 21,47% na elétrica portuguesa.

O único acionista qualificado português da EDP é o banco BCP que vai ter de desembolsar 21,1 milhões de euros para manter inalterados os seus 2,07%.

Na terceira posição, a seguir à Oppidum Capital, surgem os norte-americano da Blackrock que terão de investir 46 milhões para garantir os seus 4,51%.

Depois, a Alliance Bernstein vai ter de desembolsar 30 milhões para ficar com os seus 2,94%, enquanto os argelinos da Sonatrach têm de pagar 24,2 milhões para manter os seus 2,38%,.

Já a Qatar Investment Authority vai ter de gastar 23,1 milhões para segurar os seus 2,27%, com os noruegueses do Norges Bank vai ter de pagar 22,6 milhões para salvaguardar os 2,22%, e a Capital Group Companies a ter de investir 20,90 milhões para ficar com os seus 2,05% inalterados.

Também o presidente executivo da EDP, atualmente suspenso por decisão judicial, foi a jogo no aumento de capital investindo mais de 25 mil euros em para comprar mais de 7.700 ações.

A EDP também fechou um contrato com um sindicato bancário (underwriters) para assegurar que o sucesso da operação e que todas as operações são subscritas.

“Caso as novas ações não sejam totalmente subscritas no âmbito da emissão de direitos, poderão ser subscritas por Investidores Qualificados ou pelos Underwriters”, segundo o prospeto: BCP (20%);  J.P. Morgan Securities (20%); Morgan Stanley & Co. International (20%); BNP Paribas (13,33%); BofA Securities Europe SA (13,33%); Goldman Sachs International (13,33%).

A EDP anunciou que não vai cobrar qualquer custo aos investidores, avançando que as despesas com a operação, as comissões pagas ao sindicato bancário, atingem os 23 milhões de euros.

Energética espanhola avaliada em 2,7 mil milhões

A Viesgo está avaliada em 2,7 mil milhões de euros com a EDP a investir 900 milhões para fechar esta aquisição. A operação está dividida em três partes: na primeira aquisição, a EDP comprou a rede de distribuição de eletricidade da Viesgo – localizada nas Astúrias e na Galiza – em parceria com a Macquarie Infrastructure and Real Assets (MIRA). A Viesgo Distribution registou um EBITDA de 320 milhões em 2019, e vai passar a ser detida em 75% pela EDP e em 25% pela MIRA.

A segunda, é que a EDP Renováveis (detida maioritariamente pelo grupo EDP) vai comprar 100% do negócio renovável da Viesgo, que conta com 24 centrais eólicas e duas centrais mini-hídricas em Portugal e Espanha. A empresa conta com uma capacidade instalada total de 500 megawatts (MW), e está avaliada em 565 milhões de euros. A terceira parte é que a EDP também vai comprar as duas centrais a carvão da Viesgo na Andaluzia.

A compra deverá estar concluída até ao final de 2020, mas antes vai ter de passar por todas as respetivas avaliações regulatórias e governamentais, como é habitual num negócio destes. Assim, o negócio vai ser avaliado pela Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, e em Espanha vai ter de obter a aprovação do regulador de energia e de mercado CNMC, entre outros. Ao mesmo tempo, a empresa espanhola vai ter de passar pela “reestruturação corporativa necessária”.

Após a conclusão da operação, a EDP vai passar a deter integralmente a Viesgo e vai ter representação maioritária no conselho de administração, com direito a nomear o presidente executivo, o presidente do conselho de administração e o administrador financeiro.

China Three Gorges tem de investir 219 milhões para manter posição no capital da EDP. BCP tem de pagar 21 milhões

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A operação de aumento de capital tem hoje início, pois é o último dia em que as ações negoceiam com os direitos incorporados. Os acionistas são obrigados a participar, caso contrário, a sua posição fica diluída.

China Three Gorges tem de investir 219 milhões para manter posição no capital da EDP. BCP tem de pagar 21 milhões

Os investidores da EDP vão ter de ir a jogo no aumento de capital no valor de mil milhões, ou ficam com a sua posição de capital diluída. Acionista chinês é quem vai ter de gastar mais dinheiro, seguido dos espanhóis da Oppidum Capital e dos norte-americanos da Blackrock.
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