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Estão 130 milhões de barris de petróleo “parados no mar” (o consumo mundial de um dia)

A situação atual em nada se pode comparar com o período de 2022 com o início da invasão da Rússia à Ucrânia, uma vez que, na altura, havia uma procura muito superior à oferta – algo que nos dias de hoje não se verifica. Leia a análise da corretora XTB.
9 Março 2026, 13h34

As fortes subidas registadas tanto no Brent e o WTI estão a ser impulsionadas sobretudo pela probabilidade de uma disrupção prolongada no Golfo e, em particular, a funcionalidade do Estreito de Ormuz.

Para contexto, neste momento estão cerca de 130 milhões de barris de petróleo “parados no mar”, o que é um pouco mais do que o consumo mundial de um dia.

A situação atual em nada se pode comparar com o período de 2022 com o início da invasão da Rússia à
Ucrânia, uma vez que, na altura, havia uma procura muito superior à oferta – algo que nos dias de hoje não se verifica. A procura tem estado muito baixa em relação à oferta e o aumento consistente dos preços deverá intensificar ainda mais esse gap.

Economias mais afetadas
A União Europeia deixou claro que vê a situação como ameaça direta à liberdade de navegação,
cadeias de abastecimento e estabilidade dos mercados globais de energia, com referência explícita ao Estreito de Ormuz.

Em paralelo, Bruxelas mantém a pressão sobre a energia russa, incluindo o novo price cap do crude russo em USD 47,6/bbl, o que reduz ainda mais a margem para absorver choques sem impacto em preços e inflação.

A indústria europeia está muito exposta à situação atual, onde os indicadores têm demonstrado sinais de recuperação do setor, mas a um ritmo muito lento e o atual cenário de aumentos dos preços da energia deverá ter consequências severas para o setor, se esta situação se prolongar durante muito tempo e se não forem alcançadas soluções.

A Ásia é o maior consumidor de petróleo e gás que passa pelo Estreito de Ormuz, com a China, Índia, Japão e Coreia do Sul representando, juntos, 69% de todo o petróleo que passa por essa rota.

O Japão e a Coreia do Sul são os mais vulneráveis a possíveis interrupções no abastecimento, com cada
país dependendo de Ormuz para 60-75% de suas importações de petróleo, enquanto a China tem reservas estratégicas maiores e fontes alternativas de abastecimento.

Posição de Donald Trump
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem comentado a evolução da operação “Epic Fury”,
dando a entender várias vezes que o impacto do preço da energia deverá ser limitado a curto prazo
e a longo prazo deverá ser diluído por outros fatores ao mesmo tempo que também tem insistido
que a operação conjunta com Israel era extremamente necessária para a paz global.

Através das redes sociais, no Truth Social o presidente americano tem dito também que os preços do
petróleo no curto prazo são “a very small price to pay” para o “safety and peace”, sinalizando que aceita crude mais alto se isso servir objetivos estratégicos. A Reuters também reportou que os EUA recusaram, para já, recorrer à Strategic Petroleum Reserve, afirmando: “if they rise, they rise”.

Concluindo, enquanto o mercado não tiver evidência de normalização operacional no Golfo, a volatilidade nos mercados deverá manter-se elevada e o prémio geopolítico no petróleo deverá manter-se visível. Por outro lado, não se deve afastar um cenário de fortes quedas nos preços da energia e a uma recuperação generalizada dos índices bolsistas, assim que surgirem sinais de que pode haver uma diminuição da escalada do conflito.


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