Estas são as sugestões dos gestores de marketing para impulsionar a marca Portugal

O ‘think-thank’ Portugal Agora desafiou quatro gestores de Comunicação e Marketing a apresentar medidas para divulgar o país enquanto produto/marca. “Basta tirar peso e dar suporte às empresas para que possamos atrair talento e ideias. Já existem coisas soltas, mas é preciso juntar as várias peças e criar um espaço onde se reúna tudo: uma espécie de Alentejo tecnológico”, defendeu o responsável da Novabase.

Cristina Bernardo

“Portugal é um país para desenvolver soluções daqui para o mundo, tem qualidade de vida e é uma boa localização para investimento. O facto de ser um país com bom espírito de abertura a outras nações, tolerância, atitude colaborativa é muito bem visto pelas empresas”. As palavras são de João Dias, que está habituado a fazer pitchs pelo mundo para “vender” Portugal e angariar investimento enquanto administrador da Aicep – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

Carlos Sezões, coordenador do think-thank Portugal Agora, considera que Portugal precisa de uma verdadeira marca porque esta tem quatro componentes (identidade, oferta, experiência e imagem) que podem ser utilizadas para projetar o país internacionalmente. “O meu mundo é o do capital humano. Queremos ser bons influenciadores, criar conteúdo tangível e um lóbi positivo”, explicou o sócio da Stanton Chase International, na conferência “Construir e promover a marca Portugal”, que se realizou esta quinta-feira, em Lisboa.

Aliás, se Portugal fosse mesmo uma marca estaria avaliada em 160 mil milhões de euros e valeria mais do que a gigante do e-commerce Amazon, de acordo com o ranking “Brand Finance” do Banco Mundial, que coloca o país está no 46º lugar a nível global. Desafiados a vender Portugal como produto, um grupo de quatro gestores de Marketing e Comunicação apresentou esta quinta-feira um conjunto de medidas para desenvolver o rótulo nacional e o “made in Portugal”.

Os cidadãos do Portugal Agora juntaram-se há cerca de quatro anos para formar sinergias entre empresas, Estado e universidades e definir metas para desenvolver o país em três vertentes – Atrativo, do Conhecimento e Empreendedor. Para a conferência, o grupo convidou os diretores de Marketing e Comunicação da Novabase (Nelson Teodoro), LG Electronics (Hugo Jorge), PHC Softawe (Tânia Marques) e DPD Group (Carla Pereira) a apresentarem propostas.

Os oradores lançaram várias sugestões à sociedade civil, ao legislador e aos empresários, entre as quais:

  • Criar um programa de captação de nómadas digitais de abrangência nacional
  • Transformar localidades em digital hubs
  • Apostar numa ótica global das startups (e não local)
  • Desenvolver o conceito de cidades inteligentes
  • Aumentar as ofertas de nearshoring
  • Melhorar a receita do turismo premium

Solução pode ser um “Alentejo tecnológico”

Na opinião de Carla Pereira, responsável do grupo que detém as marcas Chronopost e Seur, “Portugal é uma marca global, que está no mundo, e ao qual as multinacionais estão atentas”. “Portugal já não o país da mão-de-obra barata. É importante que as multinacionais deslocalizarem as suas produções”, defende.

Já Nelson Teodoro, da Novabase, acredita que “basta tirar peso e dar suporte às empresas para que possamos atrair talento e ideias”. “É uma ideia simples. Já existem coisas soltas, mas é preciso juntar as várias peças e criar um espaço onde se reúna tudo. Será uma espécie de Alentejo tecnológico”, caracterizou.

Marca Portugal vai além da rentabilidade e negócio

“Tem havido um trabalho consistente na comunicação de Portugal como destino. O país preparou-se do ponto de vista da oferta turística, inspirou-se em valores humanísticos e construiu uma marca ancorada num propósito – ou seja, uma marca que vai além da sua rentabilidade e do seu negócio”, referiu Lídia Monteiro, do Turismo de Portugal.

Segundo José Theotónio, CEO do Grupo Pestana, para Portugal ser um destino consolidado é necessário que tenha oferta turística a esse nível e que separe o Alojamento Local por categorias. A seu ver, “sol e praia” será sempre um produto de que as pessoas gostam, portanto é necessário que as cidades consigam receber os turistas e investidores sem inconvenientes nos aeroportos, por exemplo.

“A grande dificuldade que vamos ter, em cidade, é o facto de não conseguirmos acolher toda a gente. Lisboa está a poucas horas de várias cidades, mas quem é que está disponível para o fazer quando há atrasos nos voos por falta de ‘slots’ e filas superiores a 1 hora no aeroporto?”, questionou-se o empresários sobre a acessibilidade aérea.

A ‘caçar ideias’ deste encontro esteve também a rede empreendedores sociais Impact Hub, que está em Portugal desde 2016 e recebe cerca de 300 pessoas por ano no seu co-work do Museu da Carris. “Trabalhamos junto das empresas para as ajudar nas metas de responsabilidade corporativa, de uma maneira criativa e disruptiva”, resumiu Francesco Rocca, diretor de Programas da Impact Hub Lisbon.

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