Estratégia, uma ferramenta poderosa

Em abril de 2012, o Instagram é vendido ao Facebook por cerca de mil milhões de Euros. O curioso é que na mesma semana em que uma aplicação de partilha de fotografias com 13 colaboradores é tema de conversa pelo valor da transação, uma empresa com mais de 100 anos de história e que foi pioneira no mundo das fotografias digitais apresentou a falência.

Em abril de 2012, o Instagram é vendido ao Facebook por cerca de mil milhões de Euros. O curioso é que na mesma semana em que uma aplicação de partilha de fotografias com 13 colaboradores é tema de conversa pelo valor da transação, uma empresa com mais de 100 anos de história e que foi pioneira no mundo das fotografias digitais apresentou a falência. A Kodak, que chegou a ter 145 mil colaboradores no mundo inteiro, foi das primeiras multinacionais a sentir o “peso” das novas tecnologias e nas alterações que as mesmas têm originado na Economia Mundial nos últimos 20 anos. Aliás, verdadeiros modelos de negócio que dávamos como monopólios estão totalmente alterados. Como exemplo, a maior companhia de táxis do Mundo não tem táxis (Uber), o maior arrendatário de habitação não tem casas (AirBnB) e o maior serviço de vendas do mundo não tem “stock” (Ali Baba).

Mas em que medida é que a única responsabilidade destas empresas conquistarem um mercado global tão rapidamente vem apenas no domínio das novas tecnologias? Um dos grandes fatores impulsionadores destes negócios à escala global foi a flexibilidade com que adotaram uma estratégia de negócio. Se por um lado a Estratégia nos permite definir o melhor business plan a adoptar para um determinado produto, setor ou alteração no modelo produtivo, por outro permite que as empresas criem defesas a fatores externos que na maioria das vezes não temos capacidade de controlar. Um exemplo disso é o Brexit. Centenas de empresas que exportam para o Reino Unido, estão à espera de fatores externos para poderem tomar uma decisão, mas muitas delas ainda não adotaram uma Estratégia para qualquer dos cenários.

São vários os setores que olham para a questão Estratégica da empresa como algo ligado ao departamento financeiro. Previsão de receitas, custos, matéria prima, taxa de juro bancária, etc. A Estratégia de uma empresa não pode e nem deve ser só isto. É olhar para o mercado e antecipar novos negócios, é validar (ou não) se o rumo que a empresa está a levar é o correto, é olhar para o potencial de crescimento através da entrada em novos mercados e ponderar se os mesmos fazem sentido, é encontrar parceiros de negócios que nos permitam alavancar a empresa de outra forma. A Estratégia deve também ser definida como algo pragmático que deve conter desde a sua construção o caminho a seguir para a sua implementação e formas de reajustes ao longo da sua implementação. Nos dias que correm, o que ontem era válido, amanhã poderá ter de ser reequacionado.

Vince Barabba, um ex-executivo da Kodak, afirmou que em 1981 a administração teve acesso a uma avaliação precisa do mercado sobre os riscos e as oportunidades que os próximos anos a empresa ia enfrentar. A Kodak assumiu que não deveria implementar a Estratégia que lhe foi apresentada e que nunca iria perder o monopólio do negócio. Olhar para a Estratégia como uma ferramenta poderosa fará com que muitas empresas tenham mais capacidade de enfrentar os desafios que todos os dias têm pela frente.

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