Estratégias de investimento passivas: uma questão de eficiência

Apesar de existirem importantes características que apontam os ETF como os instrumentos financeiros mais vantajosos, os Fundos Mútuos têm começado a aplicar estratégias de redução de custos.

Os ExchangeTraded Funds (ETF), de entre os quais se destacam os Fundos de Índice, são fundos de investimento que transacionam na bolsa. Cada um destes fundos possui um conjunto diversificado de ativos com caraterísticas específicas que dependem da estrutura e objetivos do mesmo.

É possível encontrar ETF de gestão ativa, onde os gestores tentam otimizar os ganhos e bater o rendimento do mercado, no entanto, a maioria dos ETF aplicam estratégias passivas que tentam replicar o comportamento de um determinado índice e cuja performance é medida através da comparação com o rendimento do mesmo.

Atualmente, e segundo dados da Morningstar, mais de 8,66 biliões de dólares encontram-se alocados em estratégias de gestão passiva através de ETF. A diferença entre o valor dos ativos geridos por Fundos Mútuos e o valor de mercado da totalidade dos ETF de gestão passiva passou dos 623 mil milhões de dólares em 2019, para os 123 mil milhões de dólares em junho deste ano.

Mas o rápido crescimento deste instrumento financeiro não se deve ao acaso. Certamente são um produto que oferece diversificação de ativos, transparência, liquidez e fácil acesso para os investidores, o que, por sua vez, contribui para a democratização dos mercados. No entanto, a palavra-chave é eficiência e, no mercado, o trono pertence ao mais eficiente.

A realidade é que os ETF têm conseguido minimizar os custos e maximizar a eficiência fiscal, garantindo o seu domínio no futuro e a sua superioridade perante os Fundos Mútuos com estratégias passivas. Estruturalmente, os ETF foram desenhados para minimizar o número de operações sujeitas a impostos. Quando os investidores desejam obter o reembolso do seu capital, podem fazê-lo transacionando o instrumento da mesma forma em que o fariam com uma ação. Já os Fundos Mútuos, são obrigados a vender posições para fazer face ao pedido de resgate, o que gera constantemente ganhos e perdas relevantes para efeitos fiscais, afetando não apenas o investidor que retira a sua participação, mas a totalidade dos investidores do fundo. Este evento representa em muitas legislações um custo acrescido, tornando-a uma opção pouco eficiente.

Quererá isto dizer que os Fundos Mútuos irão desaparecer? Provavelmente não, pelo menos não no medio prazo. Apesar de existirem importantes características que apontam os ETF como os instrumentos financeiros mais vantajosos, os Fundos Mútuos têm começado a aplicar estratégias de redução de custos que, somadas ao atendimento personalizado e à reputação que os tem acompanhado durante quase um século, serão fatores que permitirão a coexistência de ambos os produtos.

Mas nem tudo é positivo para os Fundos de Índice, à medida que a popularidade dos ETF cresce, a preocupação por parte de alguns analistas aumenta. Estes afirmam que as ações e outros produtos que se encontram presentes nestas “cestas” de ativos apresentam volumes de compra muito superiores ao que seria expectável, o que pode estar a distorcer o seu preço e os rendimentos do mercado.

Ainda é muito cedo para falar de uma possível bolha, no entanto, avaliar se estas distorções nos preços podem ser prejudiciais para o mercado no longo prazo passará a ser uma tarefa crucial no setor financeiro uma vez que os ETF se tenham proclamado como os novos reis do investimento passivo.

O artigo exposto resulta da parceria entre o Jornal Económico e o ITIC, o grupo de estudantes que integra o Departamento de Research do Iscte Trading & Investment Club.

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