Estudo conclui que 70% das empresas pretende adotar um sistema misto de trabalho após a pandemia

“Ainda que a maioria das empresas pretenda adotar regime de trabalho misto, 85% não paga ajudas de custo aos colaboradores em teletrabalho e somente 8% pensa vir a fazê-lo”, alerta um comunicado do Kaizen Institute.

Reuters

Um estudo realizado pelo Kaizen Institute concluiu que 70% das empresas nacionais pretendem adotar um sistema misto depois da pandemia.

De acordo com este barómetro, 68% dos responsáveis de recursos humanos inquiridos afirmaram que as suas empresas “pretendem adotar o trabalho remoto de forma estrutural, numa lógica de complementaridade em relação ao trabalho presencial” , enquanto 86% dos inquiridos ponderam manter dois ou mais dias de trabalho remoto por semana.

“Ainda que a maioria das empresas pretenda adotar regime de trabalho misto, 85% não paga ajudas de custo aos colaboradores em teletrabalho e somente 8% pensa vir a fazê-lo”, alerta um comunicado do Kaizen Institute.

Outra das conclusões deste estudo aponta para que 70% dos inquiridos consideram que a eficiência dos colaboradores em regime de teletrabalho será equivalente ou superior à registada num cenário pré-Covid, enquanto os restantes 30% acreditam que a eficiência será menor.

O ‘Barómetro RH’ do Kaizen Institute 2020/21 inquiriu cerca de 150 diretores de recursos humanos de grandes e médias empresas nacionais.

O mesmo documento acrescenta que “68% dos diretores de recursos humanos inquiridos para o ‘Barómetro RH’ 2020/21, realizado pelo Kaizen Institute, afirmaram que a sua empresa adotou ou vai adotar um modelo misto de trabalho, numa lógica de complementaridade entre teletrabalho e trabalho presencial”.

“Destas, 86% planeiam manter dois ou mais dias de trabalho remoto por semana. Ainda que a maioria das empresas pretenda adotar um regime misto, 85% não paga ajudas de custo aos colaboradores em teletrabalho e somente 8% está a pensar fazê-lo. Apenas 30% dos inquiridos afirmam que o teletrabalho deixará de ser opção assim que as condições sanitárias o permitam”, avança o referido comunicado.

Segundo os responsáveis do Kaizen Institue, “para esta realidade podem contribuir algumas dificuldades encontradas na implementação do modelo de teletrabalho”.

“Entre os dois maiores desafios, os inquiridos identificaram a falta de garantia de comunicação eficiente e clara (71%) e a dificuldade de adaptação dos ‘standards’ e protocolos de trabalho aos novos padrões como outra das questões mais complexas (47%)”, avança o mesmo documento.

De acordo com o Kaizen Institute, “o conhecimento das ferramentas digitais por parte dos colaboradores também influenciou a capacidade de adaptação das empresas: 44% dos inquiridos afirmam que o grau de alinhamento das competências digitais dos colaboradores é médio, pelo que têm já um plano de treino e recrutamento definido para acompanhar o barco da transformação digital”.

“Por outro lado, 38% dos inquiridos advogam que os seus colaboradores estão dotados das competências digitais necessárias”, defende o comunicado em apreço.

“Esta edição do ‘Barómetro RH 2020/21’ fica marcada por um contexto disruptivo, que forçou as organizações a ajustarem-se rapidamente. Houve uma mudança notória nas relações do trabalho, desde logo através da larga adoção do teletrabalho, que deverá integrar de forma estrutural o funcionamento das organizações. Este panorama implica que se repense grande parte dos processos. Externamente, prestando o melhor serviço através da rapidez na capacidade de resposta e garantindo a qualidade para assegurar a satisfação do cliente, internamente, com a simplificação e otimização dos processos para um grande e eficaz aumento de produtividade”, assume Tiago Mota Costa, ‘senior partner’ do Kaizen Institute Western Europe.

No entender deste responsável, “com o aumento da digitalização e do teletrabalho, a importância dos recursos humanos na transformação do tecido empresarial é fundamental”.

“As pessoas são o verdadeiro motor das organizações, o que está intimamente ligado ao sucesso de cada negócio. O desafio do Kaizen é a concretização dos objetivos disruptivos, mobilizando a transformação diária e sustentada, com todas as pessoas, em todas as áreas, para chegar a níveis de desempenho económico e financeiro de excelência, garantindo a sustentabilidade futura das organizações”, assevera Tiago Mota Costa.

Os responsáveis do Kaizen Institute consideram que, neste domínio, existem diferentes prioridades: mais foco no longo prazo e na segurança.

“O ‘Barómetro RH 2020/21’ revela ainda que as prioridades das empresas no que toca aos recursos humanos se alteraram. Entre os dois aspetos a que as companhias dão agora primazia estão a preparação do colaborador para diferentes cenários no médio e longo prazo (44%), e a melhoria das condições de segurança, higiene e saúde no trabalho (39%). Antes da pandemia, as duas prioridades de topo no que respeita os recursos humanos eram a retenção de talento (53%) e a contratação de novos profissionais (45%)”, esclarece o comunicado em questão.

O estudo conclui ainda que, apesar do contexto, 55% dos diretores afirmam que a motivação dos trabalhadores se manteve estável nos últimos seis meses, e 24% revelam um aumento do nível de motivação dos seus colaboradores.

Relativamente à produtividade, 68% comunicam que, no mesmo período, este indicador se manteve estável, e 22% referem que esta até aumentou.

“Quanto à expectativa da eficiência das equipas em teletrabalho no primeiro semestre de 2021, 31% acreditam que se verificará uma maior eficiência; 39% consideram que os valores serão equivalentes aos do trabalho presencial; e 30% dos inquiridos acreditam que a eficiência será menor”, enquanto a relativamente ao processo de recrutamento, uma das principais mudanças está ligada à digitalização.

“A maior parte das empresas (53%) já tinha uma componente digital nos seus processos, sendo que nestas empresas a grande maioria do processo de recrutamento é agora feito ‘online’. Somente 19% mantiveram os seus processos de recrutamento inalterados”, avança o co municado em apreço.

O ‘Barómetro Kaizen RH 2020/2021’ concluiu também que, “apesar da atual crise e do impacto negativo que se sente de forma transversal nos mercados, 69% das empresas esperam aumentar a sua massa salarial no primeiro trimestre de 2021”.

“Destas, 34% antecipam aumentos de até 2%; 29% estimam um aumento entre 2% e 5%, e 6% preveem um aumento superior a 5%”, revela o mesmo comunicado.

O ‘Barómetro RH 2020/21’ inquiriu cerca de 150 diretores de recursos humanos de grandes e médias empresas nacionais, “com o objetivo de avaliar a resposta das organizações à situação pandémica, as principais tendências e desafios atualmente verificados na gestão das pessoas, bem como o grau de motivação e produtividade dos colaboradores”.

O Kaizen Institute Consulting Group é uma empresa multinacional que fornece serviços de consultoria e formação ao tecido empresarial e instituições públicas em mais de 35 países.

A empresa atua em diferentes setores de atividade, suportando as organizações e desafiando os líderes a melhorarem a sua rentabilidade e a fazerem crescer o seu volume de negócios.

Fundado em 1985, na Suíça, está em Portugal, com escritórios no Porto e em Lisboa, desde 1999.

Recomendadas

Eletricidade. Desde 2009 que o valor da dívida tarifária não era tão baixo

A dívida vai afundar mil milhões em 2022, a maior descida registada desde 2008.

“Apoios de nove milhões foram cruciais para minimizar prejuízos”, revela presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto

“Esses apoios foram cruciais para, de alguma forma, minimizar aquilo que poderiam ser os prejuízos dos agricultores na venda das suas uvas”, revela Gilberto Igrejas. “Foram nove milhões de euros, na Região Demarcada do Douro, muito importantes para que o tecido produtivo não tivesse quebras superiores”, assegura o presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), na edição do podcast “Conversas com Norte” que irá para o ar na próxima segunda-feira.

CGTP considera medidas na proposta de OE2022 insuficientes

A intersindical reconhece o mérito do desdobramento dos escalões do IRS, mas considera esta medida “manifestamente insuficiente” e pede mais rasgo no combate ao “modelo de precariedade” que vigora em Portugal.
Comentários