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Pela primeira vez desde início da guerra da Ucrânia, EUA retiram sanções contra petróleo da Rússia

EUA garantem que a medida “não irá proporcionar benefício financeiro significativo” ao governo russo. Anúncio acontece após mais um dia de forte alta nos preços de petróleo por causa da guerra no Irão.
@Pixabay
13 Março 2026, 09h57

A administração norte-americana autorizou temporariamente a compra de carregamentos de petróleo russo já em alto mar, numa tentativa de aliviar a crescente pressão sobre o mercado energético internacional. A medida surge num momento de forte volatilidade nos preços do crude, provocada pela escalada do conflito no Médio Oriente e pelos riscos para o abastecimento global.

Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, citado pela Infomoney, a autorização tem caráter limitado e aplica-se apenas a petróleo russo que já se encontra em trânsito marítimo. “O secretário do Tesouro, Scott Bessent, descreveu a decisão como uma “medida temporária e específica”, destinada a mitigar a escassez no mercado sem proporcionar ganhos financeiros significativos ao governo russo”.

Já a Euronews avança que a iniciativa prolonga uma isenção concedida anteriormente à Índia, permitindo que refinarias daquele país adquiram petróleo russo retido no mar durante cerca de um mês. Washington justificou a decisão com a necessidade de evitar uma disrupção maior na oferta global, numa altura em que várias rotas energéticas tradicionais estão sob pressão.

Guerra no Médio Oriente pressiona preços

“A flexibilização das restrições ocorre num contexto de forte subida do preço do petróleo. A escalada militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão colocou em risco o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio energético mundial, responsável por cerca de um quinto do abastecimento global”, explica o Trading Views.

Com as exportações da região ameaçadas, os mercados reagiram rapidamente: o Brent, referência internacional, registou subidas significativas nas últimas semanas e aproximou-se dos 100 dólares por barril, refletindo receios de escassez prolongada.

Perante este cenário, a administração norte-americana tem procurado várias formas de aumentar a oferta disponível. Entre as medidas consideradas estão a libertação de petróleo das reservas estratégicas e a intervenção em mercados energéticos para conter a escalada dos preços.

Rússia pode sair beneficiada

Apesar de Washington insistir que a medida é pontual, vários analistas acreditam que Moscovo poderá beneficiar indiretamente da atual conjuntura. A subida global dos preços do petróleo tende a aumentar as receitas energéticas russas, mesmo com as sanções ocidentais ainda em vigor.

“Além disso, a procura por fontes alternativas de crude tornou o petróleo russo novamente atrativo para vários compradores, sobretudo na Ásia. Países como a Índia e a China já aumentaram significativamente as importações desde o início das sanções ocidentais, aproveitando os descontos aplicados por Moscovo”, lê-se no Diário de Notícias.

A curto prazo, especialistas alertam que a autorização dos EUA pode ajudar a aliviar a pressão imediata sobre o mercado, mas dificilmente resolverá o problema estrutural de oferta. O impacto dependerá sobretudo da evolução do conflito no Médio Oriente e da segurança das rotas marítimas que transportam grande parte do petróleo mundial.


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