Eurodeputados aprovam medidas extraordinárias da Comissão Europeia

Ainda assim, a presidente da Comissão assumiu uma melhoria na coordenação das ações dos países e na entreajuda que estes estão a praticar. “A livre circulação de bens e serviços é a única maneira de fazer com que estes cheguem onde são necessários. Os cidadãos da Europa vão lembrar-se das decisões e ações que tomamos hoje”.

Com a maioria dos eurodeputados em trabalho remoto, a Comissão Europeia apresentou um conjunto de propostas legislativas, que acabaram por ser aprovadas por unanimidade. Ursula von der Leyen prometeu intensificar os esforços que já se encontram em curso, com o objetivo de “salvar o máximo de vidas possíveis” mas também para garantir a subsistência da população europeia.

A presidente da Comissão Europeia aproveitou para tecer críticas à postura com que muitos líderes políticos reagiram ao novo coronavírus e aos prejuízos económicos que este poderia causar, ainda que não tenha pronunciado nomes.

“Temos contemplado duas Europas diferentes: a do Conselho Europeu, que se reúne esta tarde, e a que todas as noites sai à varanda para aplaudir os médicos e os enfermeiros”, sublinhou Esteban González Pons em representação do Partido Popular Europeu, sublinhando as críticas de von der Leyen, e sustentando a necessidade de se canalizar recursos para os cuidados de saúde.

Ainda assim, a presidente da Comissão assumiu uma melhoria na coordenação das ações dos países e na entreajuda que estes estão a praticar. “A livre circulação de bens e serviços é a única maneira de fazer com que estes cheguem onde são necessários. Erguer barreiras entre nós não faz sentido! Os cidadãos da Europa vão lembrar-se das decisões e ações que tomamos hoje”.

Javier Moreno Sánchez destacou que as decisões “de hoje são apenas um primeiro passo” e sublinhou a necessidade de mais medidas, voltando a focar-se na apresentação de um plano Marshall para a UE, financiado por um novo instrumentos de dívida comum, bem como um fundo de desemprego europeu para mitigar as consequências económicas e sociais da crise.

Por sua vez, Nicolas Bay, um dos representantes da extrema-direita, criticou a resposta da União Europeia, sublinhando que esta tem estado ausente. “A crise da Covid-19 é um prego, talvez o último, no caixão de uma burocracia impotente”, sustentou, apontando que a UE não é “capaz de coordenar as medidas tomadas pelos estados-membros”.

O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, declarou então que “a democracia não será suspensa por esta crise tão dramática” e que “os legisladores permanecerão ao serviços dos cidadãos”, uma vez que têm meios, possibilidades e o dever de ajudar.

A “Iniciativa de Investimento em Resposta ao Coronavírus” foi aprovada com 686 votos a favor e apenas um contra, e apresentou medidas específicas para mobilizar verbas para os sistemas de saúde dos estados-membros e de outros setores da economia. “Este instrumento ajudará a direccionar 37 mil milhões de euros para a atenuação do impacto da crise, salvando vidas, empregos e empresas”, declarou von der Leyen.

Também a assistência financeira aos países membros e aos candidatos à adesão, como é o exemplo dos Balcãs Ocidentais, foi aprovada com 684 votos a favor, um contra e duas abstenções. Também a proposta da revisão das normas relativas à atribuição de slots nos aeroportos foi aprovada por unanimidade, uma vez que as companhias aéreas pediram para evitar os voos fantasmas.

Ler mais
Recomendadas

“Primeira Pessoa”. “Fundos europeus? Quem come a semente não chega ao fruto”

Cinco anos depois de ter conseguido mais de 150 mil votos, Vitorino Silva volta a candidatar-se à Presidência da República. Em entrevista ao programa “Primeira Pessoa”, da plataforma multimédia JE TV, o candidato deu a sua visão de como devem ser encarados os fundos europeus.

Catarina Martins ouve de António Costa que “ainda não chegámos ao ponto” da requisição civil da saúde privada

Coordenadora do Bloco de Esquerda disse que as camas disponibilizadas pelos hospitais privados são “uma gota de água no meio de um tsunami” e voltou a exigiri que toda a capacidade instalada de saúde em Portugal fique “sob a alçada e articulação” do Serviço Nacional de Saúde.

António Costa avança com antecipação de mais de mil milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência

Primeiro-ministro teve “esforço titânico do Governo” para injetar liquidez na economia elogiado pela líder parlamentar socialista Ana Catarina Mendes.
Comentários