Euronext junta-se às bolsas mundiais e toca o sino no dia internacional da mulher

Isabel Ucha, presidente da Euronext Lisbon, que inaugurou o evento, lembrou que, enquanto empresa dos setores financeiro e tecnológico, as Bolsas geridas pelo Grupo Euronext têm hoje 50% de mulheres na posição de CEO, quando, há três anos, não havia nenhuma.

Cristina Bernardo

Hoje é o dia internacional da mulher e a Euronext, à semelhança do que tem acontecido nos últimos sete anos, juntou-se às mais de cem bolsas no mundo inteiro no “Ring the Bell for Gender Equality”, com o objetivo de lembrar que ainda há muito trabalho pela frente até que seja atingida a igualdade de género. Referindo-se esta quer à igualdade de oportunidades na gestão das empresas, quer a nível de lugares de topo, quer a nível salarial.

Isabel Ucha, presidente da Euronext Lisbon, que inaugurou o evento, lembrou que, enquanto empresa dos setores financeiro e tecnológico, as Bolsas geridas pelo Grupo Euronext têm hoje 50% de mulheres na posição de CEO, quando, há três anos, não havia nenhuma. Temos uma mulher CEO na Euronext em Paris, na Euronext em Amesterdão e na Euronext em Lisboa”, disse.

“A igualdade de género não é apenas um direito humano fundamental, é também uma condição para um mundo mais próspero, pacífico e sustentável”, defendeu a presidente da bolsa de Lisboa.

“O mundo tem realizado enormes progressos na promoção da mulher, na valorização do seu papel na sociedade e na vida económica. Mas ao ritmo a que avançamos serão precisas ainda algumas décadas para atingirmos um equilíbrio de género nas suas várias dimensões”, disse a CEO que com o tema “Breaking the Glass Ceiling in the Financial Industry”, procura chamar a atenção para  “a desproporção entre homens e mulheres em cargos e funções de coordenação e de liderança nas organizações, particularmente no mundo financeiro”.

A CEO do Euronext invocou a evolução do Índice da Igualdade de Género, publicado pelo “European Institute for Gender Equality”, para dizer que continuam a persistir algumas barreiras importantes para se conseguir atingir este objetivo. Nomeadamente “a desigualdade na assunção de responsabilidades e tarefas familiares e domésticas. Os dados mostram que ainda só um terço dos casais na União Europeia partilham igualmente as tarefas e responsabilidades familiares, o que leva ainda muitas mulheres a verem limitadas ou a autolimitarem as suas opções de carreira”, considera a CEO da Euronext de Lisboa. Ao mesmo tempo disse que a “dominante cultura de horários muito longos ou pouco estruturados em certas profissões desincentivam a participação ou o acesso das mulheres  a lugares de liderança”.

Isabel Ucha diz que há  “ideias pré-concebidas  que condicionam a forma como as mulheres são selecionadas para funções de gestão e de decisão”

“Foi com enorme satisfação que recebi a notícia da nomeação da Nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala para presidente da Organização Mundial do Comércio. A primeira mulher e a primeira africana a liderar esta relevante organização mundial multilateral”, disse a presidente da Bolsa que lembrou que este é apenas mais um exemplo, que se seguiu a Christine Lagard na liderança do Fundo Monetário Internacional, ou a Ursula Van der Leyen  à frente da Comissão Europeia, entre outros.

“Nos últimos 5 anos tem sido muito relevante o esforço e a evolução registados, ao nível dos governos e instituições públicas nacionais e supranacionais”, disse lembrando que a Comissão Europeia estabeleceu objetivos claros de obter 40% de representação de mulheres nos lugares de gestão intermédia a mais elevada.

“O parlamento Europeu tem vindo a tomar medidas no mesmo sentido, que procuram garantir o equilíbrio de género nos governos, nas instituições públicas e nas listas eleitorais, nos Estados membros”, citou Isabel Ucha que acha que o exemplo dos Governos e instituições públicas é um movimento catalisador, demonstrador e inspirador para o setor privado.

“Embora o tema de hoje seja o desafio de trazer mais mulheres para posições de liderança nas organizações, não posso deixar de alertar para o momento difícil que estamos a viver, e como as mulheres estão a ser particularmente afetadas pelos impactos desta terrível pandemia”, frisou Isabel Ucha.

Apesar da “igualdade” de género, a presidente da Euronext diz que as mulheres são a principal força de trabalho em muitos dos setores mais afetados, e, portanto, mais vulneráveis a perderem os seus empregos.

“O enviesamento que ainda existe na divisão das tarefas domésticas, muitas estão particularmente pressionadas na compatibilização de tarefas familiares, e ter de continuar a trabalhar. Também o setor da saúde emprega uma elevada proporção de mulheres, que têm estado na linha da frente no combate a esta pandemia, em condições de enorme desgaste físico e psicológico”, salientou.

Para além do toque do sino o evento online contou com várias intervenções. Destaque para a intervenção da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, que, no seu discurso, revelou que já há 39% de mulheres na gestão de empresas públicas e 29% na gestão de empresas locais, o que traduz uma subida de 11 pontos percentuais e de  pontos percentuais desde 2011.

Por sua vez, o Presidente da Global Compact Portugal e da Convenor dos WEP, Mário Parra da Silva defendeu a paridade de homens e mulheres na gestão das empresas e a paridade salarial. Mas reconheceu que a finalidade é o mérito, como reconhecimento dos mais capazes, e que a regra de paridade é um passo intermédio.

 

 

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