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Europa acelera investimento em Defesa mas execução é o desafio, segundo McKinsey

O estudo, intitulado “Desatando o nó górdio de 800 mil milhões de euros da Europa: cinco catalisadores para transformar a Defesa”, sustenta que o continente se encontra num ponto de inflexão, com os países europeus comprometidos em elevar os gastos com defesa para 3,5% do Produto Interno Bruto até 2035, o que representará mais de um bilião de euros.
13 Fevereiro 2026, 17h22

A Europa vive um momento de viragem histórica na sua arquitetura de segurança e segundo o mais recente relatório da McKinsey & Company, intitulado “Cutting Europe’s €800 billion Gordian knot: Five catalysts to transform defense”, o continente prepara-se para um esforço financeiro sem precedentes, mas enfrenta um desafio estrutural profundo: a execução técnica e industrial.

A Europa está a acelerar o investimento em defesa, com a despesa a ultrapassar 800 mil milhões de euros anuais até 2030, mas o principal desafio será criar capacidades militares efetivas, segundo um relatório da consultora McKinsey & Company.

O novo relatório da McKinsey & Company revela que o compromisso dos países europeus em elevar os gastos com a defesa até 3,5% do PIB em 2035 — ultrapassando o bilião de euros — demonstra a magnitude do esforço em curso. No entanto, o estudo alerta que o verdadeiro desafio não é apenas orçamental, mas estrutural, utilizando a metáfora do “nó górdio” para descrever a complexa teia de desafios interdependentes que o continente enfrenta.

Embora exista um consenso sobre a necessidade de reforçar a segurança coletiva, a McKinsey adverte que aumentar os orçamentos, por si só, não garante capacidades militares proporcionais.

Envelhecimento da população é uma ameaça segundo a Mckinsey

A consultora estima que, em 2030, o investimento anual atinja os 800 mil milhões de euros, dos quais aproximadamente 335 mil milhões destinados a equipamento e investigação e desenvolvimento, ficando os restantes 465 mil milhões afetos a pessoal, infraestruturas, manutenção e operações. Um crescimento fulgurante que colocará a Europa, já em 2028, à frente dos Estados Unidos no nível de despesa em equipamento militar face aos valores norte-americanos de 2025.

O impacto económico deste reforço poderá ser significativo, com um aumento anual de 165 mil milhões de euros a gerar até 1,2 milhões de novos empregos, reforçando o tecido industrial europeu.

O crescimento do investimento em equipamento é particularmente expressivo, sendo quase nove vezes superior ao registado em 2014 e quase duplicando o nível previsto para 2025 em apenas cinco anos.

Mas este potencial é ameaçado pelo envelhecimento demográfico, que retira um milhão de trabalhadores do mercado anualmente, tornando a atração e requalificação de talento uma prioridade absoluta, defende a McKinsey

Para transformar este investimento em capacidades reais, o relatório identifica cinco catalisadores essenciais. O primeiro é a adoção de um modelo de aquisição de múltiplas velocidades, permitindo processos mais ágeis e colaboração precoce entre indústria e Estado. Em segundo lugar, sublinha a necessidade de uma base industrial escalável que possa aumentar a produção rapidamente em emergências.

O terceiro catalisador foca-se no desbloqueio da colaboração industrial e inovação, enquanto o quarto destaca a urgência de assegurar o abastecimento local de matérias-primas críticas para reduzir dependências externas.

Por último, o relatório enfatiza a importância de modernizar as infraestruturas e sistemas já existentes, permitindo ganhos operacionais imediatos sem a longa espera pelo desenvolvimento de novas plataformas.

A McKinsey diz que, em última análise, o sucesso desta transformação dependerá da capacidade da Europa em atuar com rapidez e determinação, ultrapassando fronteiras nacionais e setoriais.

Para a consultora, cortar o nó górdio da defesa exigirá decisões corajosas e uma execução pragmática.

“Num cenário de ameaças crescentes, avançar com determinação revela-se mais relevante do que a busca por soluções perfeitas, representando uma oportunidade única para lançar as bases de uma Europa mais segura, resiliente e competitiva”, defende a consultora.

 


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