[weglot_switcher]

Europa deve escolher autonomia urgentemente, diz o think tank Bruegel

Num mundo em acelerada mutação, a Europa está em fase de urgentes escolhas estratégicas. A autonomia é, evidentemente, o melhor cenário – mas é também aquele que envolve um maior risco imediato.
19 Setembro 2025, 12h00

“Na última década, a Europa sofreu com a decadência da ordem internacional do pós-guerra, a coerção económica da China e dos Estados Unidos e a agressão da Rússia”. Esta realidade contribui profundamente para os cenários possíveis para 2030-2035 – com implicações políticas para os próximos um a cinco anos. É neste contexto que o think tank Bruegel, um dos mais ativos na área económica, traçou as linhas mestras para esses cenários.

“Espera-se que o impacto de curto prazo da incerteza tarifária e política desde o início da segunda presidência de Trump seja moderado. No entanto, a Europa enfrenta riscos muito elevados. Os perigos plausíveis de curto prazo incluem: um colapso do mercado de títulos dos EUA; escalada da agressão militar russa contra a Ucrânia ou a União Europeia diretamente; uma crise fiscal desencadeada por uma vitória eleitoral populista em um membro da zona do euro altamente endividado; ou um choque comercial desencadeado pelo aumento das tensões entre os EUA e a China e/ou ações chinesas hostis no Leste asiático”.

Assim, o think tank desenvolveu três cenários de referência para o mundo em 2035, todos eles envolvendo rivalidade contínua entre EUA e China e maior multipolaridade do que no passado. Basicamente, são três os cenários propostos: um novo recuo ou desmantelamento da cooperação internacional, com protecionismo contínuo nos EUA; um mundo de três blocos liderados pela China e pelos EUA ao lado de um conjunto de países não alinhados; e uma nova ordem multilateral, com cooperação internacional sobre o fornecimento de bens públicos globais.

“Os resultados reais podem consistir em combinações desses cenários ou variantes deles. O cenário 1 seria o menos desejável para a UE, a maioria dos países individualmente e os países coletivamente, enquanto o cenário 3 seria o mais desejável. No cenário 2, a decisão da Europa de alinhar com os EUA ou de escolher o não alinhamento dependeria de os EUA agirem de maneira benevolente ou coercitiva”.

Para todos os efeitos, “a política a curto e médio prazo deve preparar a Europa para cenários futuros adversos e contribuir para uma maior estabilidade e cooperação internacionais. Isso requer políticas que aumentem a autonomia estratégica da Europa em relação às duas superpotências, tanto para sua proteção como para aumentar o seu poder de concorrência”. Para o Bruegel, “o foco da política deve incluir uma autonomia muito maior de defesa, tecnologia e finanças face aos EUA, um sistema energético muito mais resiliente e integrado, acesso seguro a minerais críticos e uma estrutura fiscal que dê maior flexibilidade aos países de baixo risco. A nível internacional, a Europa deve defender e promover a reforma da ordem internacional assente em regras, formando coligações com outros países do Norte Global e alguns do Sul Global. As duas áreas prioritárias devem ser a política comercial e a política climática”.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.