Exportações de vinhos do Alentejo para o Brasil duplicam em quatro anos

“O Brasil ocupa o primeiríssimo lugar das exportações dos Vinhos do Alentejo e, em 2019, foi responsável por um pouco mais de 20% do valor total” dos vinhos que a região vendeu no estrangeiro, destacou a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.

Regis Duvignau/Reuters

As exportações dos Vinhos do Alentejo para o Brasil, que ocupa o “primeiríssimo lugar” dos mercados externos para a região, “duplicaram em valor” entre 2016 e 2019, revelou hoje, 13 de fevereiro, a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).

“Nos últimos quatro anos, de 2016 a 2019, duplicámos as exportações em valor para o Brasil”, assim como “vendemos um pouco mais em volume”, revelou hoje à agência Lusa Maria Amélia Vaz da Silva, da CVRA.

Aludindo aos dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a mesma responsável, que tem a seu cargo o mercado do Brasil na CVRA, indicou que, no ano passado, o Alentejo vendeu “à volta de 12,5 milhões de euros” de vinho para aquele país.

“O Brasil ocupa o primeiríssimo lugar das exportações dos Vinhos do Alentejo e, em 2019, foi responsável por um pouco mais de 20% do valor total” dos vinhos que a região vendeu no estrangeiro, destacou.

Já em termos de volume, em que o Brasil “também ocupa o primeiro lugar” do ‘ranking’ das exportações, no ano passado saíram “2,6 milhões de litros” de vinho da região para território brasileiro, adiantou.

“É um valor considerável, é uma boa percentagem das nossas exportações em termos de volume, cerca de 15%”, afirmou, sublinhando que estas vendas em volume no Brasil, no ano passado, representam “quase o dobro” das registadas no país que ficou em 2.º lugar, a Polónia.

Para Maria Amélia Vaz da Silva, a evolução das exportações dos vinhos da região para o Brasil, nos últimos quatro anos, significa que o Alentejo está “a vender um pouco mais em volume, mas sobretudo a vender muito melhor”.

“Os produtores estão a ganhar confiança, as exportações estão a ser consolidadas e mesmo da parte do consumidor há hoje maior conhecimento em relação aos vinhos portugueses, o que também permite que os preços possam subir um pouco”, porque antes estavam “baixos em comparação com os de países como a França ou Espanha”, e “é isso que tem vindo a acontecer”, argumentou.

No Brasil, “há um trabalho que tem vindo a ser feito pelos produtores e pelos importadores e há um gosto do povo brasileiro pelos Vinhos do Alentejo”, até porque “a gastronomia acaba por ser parecida na maioria dos estados”, o que constitui “uma mais-valia para o consumo” deste produto desta região portuguesa, vincou.

Esta sexta-feira, em Évora, após uma prova escrita e outra prática, vai ser eleito o vencedor do concurso “O Melhor Sommelier Vinhos do Alentejo no Brasil”, promovido anualmente pela CVRA.

Ao longo desta semana, os oito ‘sommeliers’ brasileiros finalistas desta iniciativa, que vai na 7.ª edição, têm estado na região a participar em sessões de formação, visitas e provas de vinho em diversas herdades e adegas e contactos com produtores e enólogos.

“O mercado brasileiro mantém-se como prioritário para nós, sobretudo ao nível das exportações, e, por isso, esta iniciativa permite ter os melhores embaixadores dos Vinhos do Alentejo num país de grande dimensão como é o Brasil”, realçou o presidente da CVRA, Francisco Mateus.

As exportações dos Vinhos do Alentejo seguem para mais de 75 países. Em valor, os primeiros cinco países são Brasil, Suíça, Angola, Estados Unidos e Polónia. Em volume, atrás do Brasil, surgem a Polónia, Estados Unidos, Angola e França, revelou à Lusa Maria Amélia Vaz da Silva.

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