FABLAB como resposta aos desafios da sociedade 5.0

Devemos articular capacidades individuais, competências e comportamentos proativos com política social e mudança social. Dentro dos perímetros urbanos será possível produzir localmente e partilhar tudo à escala global.

Na sociedade 5.0, o foco do desenvolvimento de soluções tecnológicas tem sido o bem-estar humano, conduzido pelos princípios da sustentabilidade ambiental, social e económica.  O seu lema reflete bem esta visão: uma sociedade centrada no ser humano que equilibra o avanço económico com a resolução de problemas sociais através de um sistema que integra o ciberespaço e o espaço físico.

O conceito surge no Japão, após se verificar que na sociedade da informação, a partilha transversal de conhecimentos e informação não era suficiente e a cooperação era insuficiente. Em simultâneo, 4ª revolução digital aponta para a automatização através de sistemas ciberfísicos, que são possíveis graças à Inteligência Artificial, à IoT – Internet of Things e à computação na nuvem. Investigadores de todos os campos recorrem cada vez mais a estes sistemas de aprendizagem automática, aliados à robótica e impressão 3D para lidar e criar soluções inovadoras para os problemas complexos que estudam.

Nas cidades, que são desafiadas a projetar para futuros imprevisíveis e de rápida mudança constantemente, esta realidade ainda é limitada. Contudo, a rede de  espaços  físicos – makerspaces colaborativos, Fab Labs, Open Innovation Centres, Living Labs – tem facilitado, significativamente, a adaptação aos novos desafios.

Destaco os laboratórios de fabricação digital, conhecidos como FABLAB, que têm sido agentes transformadores sociais e educacionais da realidade urbana em rede, criados, durante mais de 10 anos, na cultura maker, e se têm reinventado para responder à necessidade de construir práticas colaborativas abertas e de disseminação do conhecimento. A combinação da fabricação digital com a capacidade criativa é o motor de transformar no processo de desenvolvimento sustentável do século XXI.

O FAB City tem sido um acelerador da mudança em Barcelona ao investir na inovação local através de uma visão sistémica holística baseada em camadas multidimensionais. Tem apostado numa rede de espaços físicos em bairros que promova a aprendizagem tecnológica para a resolução de problemas que possam ser partilhados a nível global. O conhecimento e a partilha do mesmo é um potenciador de um novo modelo de sociedade produtiva.

Para Tomas Diez, boa parte do que consumimos (alimentos, utensílios, energia) será produzida por nós mesmos, em casa, graças, principalmente, à fabricação digital, em especial, a impressão 3D. De consumidores passamos a prosumers (produtor + consumidor). Neste cenário, a capacitação é crucial para conectar o bem-estar individual com um ambiente urbano em  transformação. Devemos articular capacidades individuais, competências e comportamentos proativos com política social e mudança social. Dentro dos perímetros urbanos será possível produzir localmente e partilhar tudo à escala global.

Em Portugal, a rede de FABLABs, teve início em 2010, e conta com aproximadamente meia  centena de laboratórios espalhados por todo o país. Centros de conhecimento que assumem nas cidades um papel cada vez mais relevante como espaços de cocriação, onde a inovação, o empreendedorismo e a educação se encontram. Cidadãos, investigadores, inventores independentes, artesãos, arquitetos, engenheiros, sociólogos, tecnólogos, e muitos mais têm possibilidade de aprender fazendo num espaço transdisciplinar aberto.

O Vitruvius Fablab, sediado no ISCTE-IUL desde 2011, é um exemplo na promoção da educação, investigação e práticas de desenho colaborativo de caráter social.  Abraça a tecnologia através de metodologias centradas numa rede de pessoas com experiências quotidianas na cidade de Lisboa, permitindo que os parceiros cocriem em contexto, permitindo transformar a sociedade na direção mais participativa onde as pessoas são capacitadas.

Isto significa incrementar a resiliência das cidades e recuperar a capacidade de satisfazer localmente as necessidades das comunidades, dotando-as de competências tecnológicas, e os  FABLABs são centros de aprendizagem e prototipagem que a potenciam. Temos todos que repensar a infraestrutura urbana necessária para dotar as cidades de meios de resposta aos exigentes desafios da sociedade 5.0.

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