Faceapp: A aplicação do momento recolhe dados pessoais dos utilizadores

Quando a aplicação está instalada no dispositivo móvel, os criadores têm acesso a todos os movimentos efetuados pelo utilizador.

Mario Anzuoni/Reuters

A Google admitiu que guarda dados dos seus consumidores por tempo indefinido, e agora chegou a vez da aplicação da moda: FaceApp, noticia o Observador. Esta aplicação para smartphone prevê como uma pessoa vai ser dentro de 40 anos, e foi criada pela empresa russa Wireless Lab.

Quando se aceita os termos e condições de uma aplicação, o mais certo é que não se verifiquem quais os termos implícitos, o que muitas vezes pode significar apropriação de dados: e é isto que acontece precisamente com a FaceApp.

Nas políticas de privacidade da aplicação, os proprietários utilizam “ferramentas de análise de terceiros” de forma a “ajudar a medir o tráfego e as tendências de uso do serviço”.

Assim, estas mesmas ferramentas “recolhem informações enviadas pelo seu dispositivo ou pelo nosso serviço, incluindo as páginas web visitadas, complementos e outras informações que ajudam a melhorar o serviço”.

Ou seja, quando a aplicação está instalada no dispositivo móvel, os criadores têm acesso a todos os movimentos efetuados pelo utilizador. Ainda assim, as políticas assumem a aplicação “recolhe e usa essas informações analíticas com informações analíticas de outros utilizadores, de modo a que não possa ser utilizado para identificar qualquer usuário individual em particular”.

No entanto, a aplicação acrescenta que as informações recolhidas não vão ser partilhadas com outras aplicações que não a FaceApp, sendo algo refutado nas próximas condições presentes no mesmo texto.

“Podemos partilhar o conteúdo do usuário e as suas informações (incluindo, sem limitação, informações de cookies, log de dados, identificadores de dispositivos, dados de localização e dados de uso) com empresas que são legalmente parte do mesmo grupo de empresas do qual o FaceApp faz parte, ou que se tornem parte desse grupo”.

O mesmo acontece com o grupo de empresas que Mark Zuckerberg foi comprando, como Instagram e WhatsApp. “Os afiliados podem utilizar essas informações para ajudar a fornecer, entender e melhorar o serviço (inclusivamente fornecendo análises) e os próprios serviços dos afiliados (inclusivamente fornecendo experiências melhores e mais relevantes)”.

Mas a que informações pode a aplicação aceder?

Tudo. Nos termos e condições aceitados pelo utilizador, a aplicação pede acesso à câmara do smartphone, para conseguir fazer a modificação e avançar 40 anos no tempo. Mas a aplicação pede ainda acesso às galerias onde os ficheiros são guardados e aos conteúdos armazenados em USB, sendo que é dada autorização para “ler o conteúdo no seu armazenamento USB” e para “modificar ou apagar os conteúdos no seu armazenamento USB”.

Quando concorda com a utilização da aplicação, a mesma “recebe dados da internet”, “vê ligações em rede”, “lê configurações de serviço Google”, tem ainda “acesso completo à rede” e “evita que o dispositivo entre em hibernação”.

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