‘Fake news’ em tempo de pandemia

Neste momento das nossas vidas, importa ter presente que a comunicação social é um pilar da democracia, apesar de muitas vezes subestimado ou esquecido.

Notícias falsas, desinformação, mitos, boatos e opiniões confundidas com informações científicas têm-se multiplicado nos últimos dias. Principalmente numa altura em que a informação é valiosa, importa recordar que um boato não é uma notícia e uma opinião é isso mesmo – uma opinião.

As fake news não são uma novidade no mundo da comunicação. Agora propagam-se mais rapidamente e chegam a mais pessoas. Espalham-se com a mesma facilidade com que se propaga o novo coronavírus. Há muitas pessoas susceptíveis e receptivas a este fenómeno e a melhor vacina é a informação honesta e séria, que se alimenta do rigor e não apenas dos likes e partilhas que pode obter, custe o que custar.

Esta pandemia de Covid-19 é uma situação nova para nós, que muda muito rapidamente, com alguns aspectos ainda desconhecidos e sem certeza dos tempos que aí vêm. Mas não vale tudo.

Enquanto os profissionais de saúde combatem a epidemia com altruísmo e espírito de sacrifício, muitas vezes em condições precárias, outros andam a desinformar e a prevaricar, e muitos, subitamente, descobriram a sua vocação de especialistas em SARSCoV2. Deixemos cada um fazer a sua parte.

Os cidadãos cumprir rigorosamente as medidas e recomendações das autoridades de saúde, os profissionais de saúde trabalhar para salvar vidas, os trabalhadores de serviços essenciais manter alguma normalidade nestes dias tão atípicos para que não nos falte nada, e os jornalistas informar, muitas vezes tornando possível o que há cerca de três semanas julgámos impossível.

Não é novidade que as fake news têm como objectivo manipular os cidadãos mais incautos e podem ser uma ferramenta poderosa que alimenta e promove os discursos de ódio, separação, xenofobia e outras formas de discriminação, assim como teorias da conspiração. Pretendem manipular a sociedade e a manipulação nunca é positiva. Ou seja, tudo o que não precisamos, especialmente nesta fase tão delicada das nossas vidas individuais e colectivas.

Estas situações só poderão ser combatidas e contrariadas com uma comunicação social plural e contraditória, que, essa sim, deve ser apoiada e valorizada, e com cidadãos com capacidade de reflexão analítica, com espírito crítico, rigoroso e exigente. Especialmente nesta altura das nossas vidas é fundamental ter presente que a comunicação social é um pilar da democracia, apesar de muitas vezes subestimado ou esquecido. Tem um papel fundamental na informação e na construção de formas de pensar e de agir.

A informação fidedigna é essencial neste período, razão pela qual, desde que devidamente cumpridas as medidas e recomendações das autoridades de saúde, não deve haver qualquer obstáculo ou constrangimento ao exercício do jornalismo, que deve ser apoiado para que a informação circule neste tempo de tanta incerteza, em que é preciso garantir a liberdade de imprensa e o direito dos cidadãos à informação.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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