O Governo prevê que a economia cresça 2% este ano e 2,3% em 2026. Uma revisão em baixa das estimativas este ano face aos 2,1% inscritos no OE2025, meta que chegou a ser revista em alta para 2,4% no relatório submetido a Bruxelas, em abril.
Os alertas começam a soar. O investimento caiu no primeiro semestre e as exportações estagnaram por causa da incerteza do efeito Trump, não sendo certo que uma nova baixa do IRS volte a impulsionar o consumo das famílias que poderão poupar uma maior fatia, após compras elevadas no 4º trimestre de 2024.
Também a execução do PRR continua desafiante, apesar dos esforços do governo. Para o próximo ano as notícias não são melhores. As nuvens cinzentas pairam no ar com a manutenção do ciclo de abrandamento. O Ministério das Finanças estima que tarifas norte-americanas penalizem mais a economia e pela via in direta, pois os parceiros europeus mais afetados vão importar menos.
Na proposta do OE2026, o Executivo sinaliza que o país não vai escapar a esse efeito com um abranda mento da procura externa que deverá recuar para 1,9%, após ter chegado aos 3,3% em 2025. E apresenta uma primeira estimativa sobre o impacto na economia portuguesa das tarifas de 15% que a Administração norte-americana aplica, desde agosto, sobre os produtos “made in UE”, a partir do quarto trimestre deste ano, considerando que, até aqui, a antecipação das exportações anulou o efeito das tarifas.
A simulação sugere que o impacto na taxa de crescimento do PIB português, em 2026, rondará os -0,15 p.p. dos quais -0,06 p.p. em impactos diretos, reforçando, assim, o efeito negativo das exportações sobre o cresci mento do PIB português.
Ainda assim, os números da economia sugerem um cenário positivo e, a nível internacional, Portugal tem sido descrito como um caso de sucesso económico, sendo que nos últimos anos, a economia portuguesa tem crescido às taxas mais elevadas da sua história recente: entre 2022 e 2024, o PIB cresceu a uma taxa média anual de mais de 4% (em termos reais), bem acima da taxa média anual de menos de 1% registada entre 2000 e 2019.
No entanto, o custo de vida e a subida dos preços continuam a ser, a par da saúde e da crise na habitação, a principal preocupação dos portugueses, com o encerramento de urgências e o aumento das listas de espera no SNS e as dificuldades de acesso à compra e arrendamento de casas.
O desinvestimento do Estado, em nome das contas certas, agrava a crise do custo de vida. E acentua a discrepância entre os indicadores oficiais e a vida real das famílias e empresas, que reclamam medidas para aumentar a produtividade, a chave para o futuro de uma economia mais forte, mais justa e mais inclusiva.
Entre as principais razões para o crescimento anémico do país está o modelo económico assente no consumo privado, com o Terreiro do Paço a optar por uma economia ainda demasiado exposta à conjuntura e a estímulos temporários que mascaram fragilidades estruturais.
Falta brilho para que haja um crescimento económico forte e sustentado. Urge uma visão do futuro e ambição para estar nos países mais desenvolvidos, reforçando o peso do investi mento e das exportações.
Este é o principal desafio e ambição da economia portuguesa: um crescimento do PIB com brilho e robusto com o reflexo deseja do na vida das pessoas, que devia ser a via para se alcançar uma trajetória de consolidação das contas públicas e assegurar medidas de proteção social.



