Farol, a primeira aceleradora de startups para combater a escravatura moderna

A aceleradora que integra o Pacto Global da ONU está à procura de 15 empresas tecnológicas ou ONG com boas ideias para, durante seis meses, entrarem num programa que pretende responder aos ataques aos Direitos Humanos.

Benito Pajares

A Organização Internacional do Trabalho estima que existam 40,3 milhões de pessoas a viver sob alguma forma de escravatura e mais de metade sujeitas a trabalhos forçados, contra a sua vontade e sob intimidação ou coerção. A pensar nestes problemas mundiais, nasceu a primeira aceleradora de startups concebida para encontrar ou consolidar soluções digitais que contribuam para reduzir este flagelo dentro das cadeias de produção – e chama-se “Farol”.

Como um bom farol, procurará orientar os empreendedores que se preocupem com os Direitos Humanos e que tenham tecnologia ou ideias que se possam traduzir em respostas. Essencialmente, a aceleradora está à procura de 15 startups tecnológicas – cinco das quais de países em desenvolvimento – que estejam interessadas em entrar num programa de seis meses, mas alarga as inscrições a projetos de organizações não-governamentais (ONG) que trabalham em blockchain, inteligência artificial, machine learning, processamento de linguagem, reconhecimento de imagem, Big Data e geolocalização.

“Aumentar a transparência nas cadeias de produção é a peça chave para acabar com o abuso laboral e, nesse sentido, retirar as pessoas da armadilha da pobreza. A tecnologia está numa posição única no caminho a fazer em prol dos Direitos Humanos e na concretização de mudanças sociais”, dizem os cofundadores da Farol, Daniela Coutinho e Raúl Celda.

As startups escolhidas terão sessões de mentoria e poderão assistir a conferências internacionais cujos painéis terão especialistas e representantes de organizações e marcas globais como Walk Free, The Fair Cobalt Alliance, Nareen Sheikh, entre outros.

A Farol, que integra o Pacto Global da ONU, resulta de um trabalho de colaboração entre diversas organizações ibéricas, nomeadamente a consultora portuense Partnerships For Humanity, a consultora de inovação colaborativa Beta-i e a madrilena Fundación Española Por Los Derechos Humanos (FĒDDHH).

A aceleradora é lançada esta segunda-feira com o apoio legal da TrustLaw, o serviço mundial pro bono da Fundação Thomson Reuters, e o suporte da entidade ambiental norte-americana Parley For The Oceans. Por cá, é apoiada pelo Governo português através da iniciativa Portugal Inovação Social, financiada pelo Fundo Social Europeu.

Como funcionará o programa de aceleração?

Será dividido em duas vertentes. A primeira será para apoiar startups tecnológicas motivadas pela concretização de um propósito e projetos de ONG especializadas em tecnologia que estejam em fase inicial de desenvolvimento de produto. A segunda apoiará startups já com um produto final e com clientes que pretendam acrescentar a redução da escravatura moderna aos seus objetivos. As candidaturas estão abertas até 31 de agosto de 2021.

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