Segundo Michael Krautzberger, Diretor de Investimento (CIO) Global de Mercados Públicos, Allianz Global Investors (AllianzGI), a desaceleração no mercado de trabalho dos EUA apoia a recente alteração das expetativas de redução dos juros.
A partir daqui, o único fator que pode modificar estas expetativas são surpresas ascendentes sustentadas na inflação. “As nossas perspetivas sobre a curva de juros dos EUA e o dólar norte-americano têm-se mantido praticamente inalteradas nos últimos meses. Acreditamos que o cenário macroeconómico e político dos EUA continua a favorecer um “steepening” (ou inclinação) da curva de juros, embora tenhamos aproveitado a oportunidade para reduzir alguns riscos. Num ambiente em que os riscos de inflação em alta não podem ser descartados e as preocupações com a futura independência da Fed crescem, também favorecemos uma exposição aos TIPS (obrigações ligadas à inflação) dos EUA. Quanto às divisas, mantemos uma visão mais cautelosa sobre o dólar norte-americano, devido aos desafios cíclicos e estruturais que a economia dos EUA enfrenta”, diz o especialista.
O presidente da Fed, Jay Powell, mostrou uma postura dovish (prudente) na última reunião em Jackson Hole e o último relatório de emprego dos EUA, além de revisões de referência anuais, reforçou as expetativas de uma mudança na função de reação da Fed, que está agora centrada nos riscos de baixa da atividade económica.
Da mesma forma, o último Livro Bege da Fed sugeriu que a economia estagnou em grande parte nos últimos meses, com a maioria dos distritos da Fed a reportar poucas ou nenhumas alterações na atividade económica geral e um mercado de trabalho lento no Verão. Embora a Fed tenha baixado o seu crescimento e aumentado as suas projeções de taxa de desemprego e inflação para 2025 e 2026 na sua última ronda de previsões económicas em Junho, pode estar inclinada a refletir alguns riscos adicionais em baixa nas suas últimas projeções económicas para apoiar uma redução nas suas projeções da taxa de Fed Funds (fundos federais) para esses mesmos anos.
“Embora o impacto da política tarifária dos EUA continue a refletir-se lentamente nos dados da inflação (com a inflação subjacente do índice PCE, a medida preferida pela Fed muito acima do objetivo, nos 2,9% anuais), o crescimento real do PIB caiu para metade face a 2024, com os consumidores prestes a enfrentar uma nova pressão sobre os seus rendimentos reais nos próximos meses. Este cenário macroeconómico abre caminho para que a Fed retome o seu ciclo de cortes de juros este mês, ainda que, com a inflação acima do objetivo da Fed, acreditemos que o equilíbrio das probabilidades favoreça um corte de 25 pb em vez de 50 pb em setembro. A partir daí, o ritmo dos cortes futuros dependerá da extensão da deterioração adicional no mercado de trabalho, embora o cenário possa complicar-se se a inflação surpreender em alta”, conclui Michael Krautzberger, Diretor de Investimento (CIO) Global de Mercados Públicos, Allianz Global Investors (AllianzGI).
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