Fed mantém taxa inalterada, mas troca “paciente” por “agir de forma apropriada”

A ‘federal funds rate’ continua fixada num intervalo entre 2,25% e 2,50%, anunciou o Federal Open Market Committee (FOMC), após a reunião de dois dias que terminou esta quarta-feira.

REUTERS/Kevin Lamarque

A Reserva Federal norte-americana manteve a taxa de juro de referência (federal funds rate) inalterada, em linha com as expetativas dos analistas. A taxa de juro diretora continua fixada num intervalo entre 2,25% e 2,50%, anunciou o Federal Open Market Committee (FOMC), após a reunião de dois dias que terminou esta quarta-feira.

A instituição liderada por Jerome Powell sinalizou, no entanto, que poderá em breve decidir um corte na taxa de juro, ao remover do comunicado a palavra “paciente”, substituindo-a por “agir apropriadamente” face a incertezas no outlook económico e às pressões sobre a inflação.

“O Comité continua a ver uma expansão sustentada da atividade económico, condições robustas no mercado de trabalho e a inflação próxima do objetivo de 2% como os resultados mais prováveis”, referiu a Fed, adiantando, no entanto que as incertezas sobre este outlook aumentaram.

“À luz destas incerteza e a ténue pressões inflacionárias, o Comité ira monitorizar de forma próxima as implicações da informação que irá receber sobre o outlook económico e irá agir de forma apropriada para sustentar a expansão”, sublinhou.

A última vez que o FOMC implementou um aumento na federal funds rate foi em dezembro do ano passado. Na reunião de janeiro a instituição liderada por Jerome Powell alterou a posição em relação ao percurso dos aumentos das taxas de juro dizendo que irá ser paciente, tendo em conta os desenvolvimentos económicos e financeiros, quando anteriormente apontava para aumentos graduais.

Essa posição foi mantida na reunião de março e de maio, com as avaliações dos membros do FOMC a apontarem para a manutenção da taxa de juro no nível atual até pelo menos o final do ano.

No entanto, a escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China abalou os mercados nas últimas semanas e levou Powell a reagir. A 4 de junho disse que a Fed está a monitorizar atentamente as implicações destes desenvolvimentos nas perspetivas económicas dos EUA e vai agir de forma apropriada para sustentar a expansão, uma mensagem que os mercados interpretarem como sinal de que um corte na taxa de juro poderá acontecer em breve.

A Fed atualizou as projeções económicas, mantendo em vista uma expansão de 2,1% este ano na maior economia do mundo, mas reviu em ligeira alta a de 2020, de 1,9% para 2%.  Em relação à inflação, o banco central prevê agora que termine o ano em entre, 1,5% e 1,6%, quando em março projetava 1,8% e 1,9%.

[Atualizada às 19h19]

 

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