Fenprof: “Não basta dizer que as escolas vão estar abertas”

Mário Nogueira, o secretário geral da Federação Nacional dos Professores, reagiu ao anúncio do primeiro-ministro exigindo a inclusão dos professores no grupo de prioritários para a vacina, bem como a realização de testes nas escolas, entre outros.

José Sena Goulão/Lusa

“Não não basta dizer que as escolas vão estar abertas. É preciso fazer muito mais do que foi feito, porque se assim não for, o Governo pode estar a tomar uma posição verdadeiramente irresponsável”, afirmou Mário Nogueira, secretário geral da FENPROF, numa reação ao anúncio do primeiro-ministro feito esta tarde de manter as escolas abertas durante o confinamento que que dura até 30 de janeiro.

Na vasta lista do que é preciso fazer, Mário Nogueira colocou os testes para professores, em funcionários ou em estudantes e exigiu que os professores ocupem um lugar cimeiro na lista das prioridades da vacinação. “Se os professores vão continuar a trabalhar, os professores têm que integrar a segunda fase da vacinação”, afirmou, justificando com o facto de estarem deslocados da residência e em contacto com muita gente, o que representa um aumento do risco.

Mário Nogueira defendeu, mais uma vez, que “os professores dos grupos de risco têm que ser protegidos” e também que é necessário rever as condições sanitárias existentes nas escolas. “Há que encontrar forma de reorganizar os espaços e refazer as turmas”, salientou. No que respeita a higienização dos espaços, é necessário um “reforço de funcionários imediato”, disse.

Sobre o anúncio feito, ontem, pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, no Parlamento, de que vão chegar às escolas mais 335 computadores no decorrer do segundo período, considerou: “fica a faltar ainda um milhão”. Um milhão para o que foi anteriormente pelo primeiro-ministro de que haveria computadores para todos, alunos e professores.

O Governo vai manter abertos e “em pleno funcionamento” todos os estabelecimentos de ensino, do pré-escolar ao pós-doutoramento, durante o novo período de confinamento que decorre até 30 de janeiro, anunciou esta quarta-feira, 13 de janeiro, o primeiro-ministro. “Este tema divide a comunidade científica, mas une a comunidade educativa”, justificou, adiantando que a decisão é tomada depois de “ouvir os representantes das famílias, dos diretores de escolas, dos profissionais e sobretudo depois de avaliar bem as consequências irrecuperáveis para o processo educativo que a interrupção letiva das atividades presenciais tiveram o ano passado.

“Vamos acompanhar o funcionamento das escolas com uma campanha de testes de antigeneo de forma a podermos ir detetetando casos não detetados de eventuais contaminados”, adiantou António Costa, acrescentando que o processo está a ser articulado entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde, e tem como objetivo despistar qualquer cadeia de transmissão que possa existir.

Questionado sobre se os professores deverão passar a integrar a lista de prioritários para a vacina, disse que os critérios de vacinação são definidos por um grupo técnico e “esse grupo técnico dirá o que tem a tiver a dizer sobre essa matéria”.

António Costa disse ainda que ao longo do primeiro período, o número de surtos foi diminuto e mesmo o número de casos face ao universo em causa: mais de 1,2 milhões. “A escola é um local seguro”, fundamental para o processo de ensino-aprendizagem. Todos os aumentos de contaminação que temos tido tem coincido com o período de férias escolares e não durante o funcionamento das aulas, acrescentou.

“Não podemos voltar a repetir este ano a mesma regra. Com as cautelas que tornaram a escola segura, vamos manter a escola em funcionamento”, salientou o primeiro-ministro.

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“Até aos 12 anos o risco é diminuto de acordo com as opiniões do Conselho Científico. Sabemos que o número de casos foi diminuto no primeiro período e que nenhum foco teve início numa escola”, defendeu o governante.

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